Folha de S. Paulo


ANÁLISE

Governo adere ao primeiro-damismo para suavizar imagem sisuda e masculina

Pedro Ladeira/Folhapress
Brasilia, DF, Brasil 05.10.2016 A primeira-dama Marcela Temer foi ao PalAcio do Planalto na manhA desta quarta-feira (5), ao lado do presidente Michel Temer, para participar do lanCamento do programa CrianCa Feliz, do qual sera embaixadora Foto:Pedro Ladeira/Folhapress cod 4847
A primeira-dama Marcela Temer participa do lançamento do programa Criança Feliz

Nunca o atual governo sorriu tanto. Fotos e vídeos do discurso de estreia de Marcela Temer pululavam nas redes sociais.

Ao contrário das menções em geral mais negativas à gestão de Michel Temer na internet, as que predominaram nesta quarta-feira (5) foram referências positivas, até elogiosas. Tudo por causa da primeira-dama.

Durante o evento de lançamento do Criança Feliz programa voltado para a primeira infância, mas sem formato até agora muito claro– um assessor ficou surpreso.

"Quando ela apareceu, a plateia se entortou para vê-la. Quando acabou, todos queriam chegar perto dela, não do presidente", disse, sob condição de anonimato.

A descrição do auxiliar e o impacto que a estreia de Marcela provocou ao longo do dia dão pistas do que veremos nos próximos dois anos.

Para quem tem calafrios com o primeiro-damismo –acha antiquado e até machista–, um recado: a exploração da imagem da primeira-dama veio para ficar.

Ministros estão convencidos de que a jovem Marcela, 33, traz frescor a um governo sisudo, masculino e repleto de cabeças brancas.

Nas palavras de um estrategista, o Planalto não está interessado em dar à mulher de Temer a aura de formuladora nem de gestora de programa social, como tinha a intelectual Ruth Cardoso, mulher de FHC.

Assessores dizem que partiu de Marcela o desejo de ser embaixadora de um programa como o Criança Feliz por ter identidade com os temas da infância e da maternidade, mesmo não sendo uma especialista no assunto.

Quem é contra a função de primeira-dama, sobretudo quando é atrelada a campanhas sociais menos estruturais, como a do agasalho, por exemplo, diz que o posto reforça o estereótipo da mulher que cuida de casa, dos filhos e da família.

Já para os defensores da ideia, a instituição joga luz e audiência sobre causas públicas importantes.

Na história, Marcela Temer parece ficar entre Dona Ruth e Dona Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Lula, que optou por não se envolver com ações assistenciais.

Com ou sem polêmica, o fato é que a madrinha do Criança Feliz deu ao governo a ideia de que pode melhorar a sua própria imagem.

Dá para entender: com a impopularidade do governo Temer em alta, a presença da primeira-dama pode vir muito bem a calhar.


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