Folha de S. Paulo


Retrospectiva: Presidente termina 2014 desnorteada por crise na Petrobras

Eduardo Knapp/Folhapress
Montagem com os candidatos a presidência Dilma e Aécio Neves; eleições foram marcadas por fla-flu
Montagem com os candidatos a presidência Dilma e Aécio Neves; eleições foram marcadas por fla-flu

Para muitos brasileiros, atravessar 2014 foi como andar numa montanha-russa sem saber se o fim do passeio traria alívio ou novos sobressaltos. O ano acabou, mas as incertezas que ele produziu tornarão o próximo ainda mais agitado.

No começo, as pessoas pareciam dominadas pela angústia. A economia entrou em recessão no primeiro semestre, havia o temor de uma nova onda de protestos nas ruas, e os atrasos na construção de estádios e aeroportos ameaçavam a realização da Copa do Mundo.

As obras ficaram prontas, e os manifestantes deixaram a indignação de lado para acompanhar o espetáculo. Parecia que no fim ia dar tudo certo, mas a derrota humilhante imposta pela Alemanha ao Brasil voltou a azedar o humor nacional.

Quem sentiu primeiro foi a presidente Dilma Rousseff. Vaiada pela arquibancada no jogo de abertura e na final da Copa, ela foi à luta pela reeleição com a popularidade em queda, a economia estagnada e os eleitores cobrando mudanças.

Aliados de primeira hora enxergaram ali uma oportunidade para saltar do barco governista. Juntos, Eduardo Campos e Marina Silva prometiam construir uma nova e arrebatadora força política, capaz de encerrar duas décadas de fla-flu entre petistas e tucanos.

Após a morte de Campos, num acidente aéreo em agosto, a ideia ganhou impulso com a candidatura presidencial de Marina. A comoção com a tragédia deu embalo à líder ambientalista, mas em poucas semanas ela virou pó sob a fuzilaria do PT.

Dilma conseguiu se reeleger, mas foi por pouco. Sua vitória sobre o senador tucano Aécio Neves se deu por margem estreita, e a oposição saiu das urnas revigorada por votações expressivas nos principais colégios eleitorais.

Encerrada a campanha, Dilma reencontrou a realidade. Para recuperar a credibilidade perdida no terreno econômico, escolheu como novo ministro da Fazenda um economista que pensa o contrário do que ela disse antes da eleição, Joaquim Levy.

Com dificuldades para contentar aliados na formação do ministério, a presidente chegou ao fim do ano desnorteada pela crise na Petrobras e os desdobramentos das investigações sobre o esquema de corrupção descoberto na estatal.

As primeiras ações contra os políticos implicados no escândalo devem ser abertas em breve pelo Supremo Tribunal Federal. Ninguém sabe como isso vai terminar, mas é certo que a turbulência vai demorar para passar.


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