Folha de S. Paulo


AURÉLIO NOMURA

Nabil, o sofista

Bruno Poletti/Folhapress
SAO PAULO, SP, 15.03.2016: Nabil Bonduki, secretario de cultura - Poeta Thiago de Mello recebe homenagem por seus 90 anos. (Foto: Bruno Poletti/Folhapress, FSP-MONICA BERGAMO) ***EXCLUSIVO FOLHA***
O colunista da Folha Nabil Bonduki, em foto de março de 2016

Platão dizia que os sofistas não eram filósofos ao pé da letra porque, apesar de seus argumentos parecerem lógicos e sofisticados, eles no fundo mascaravam as mentiras com uma aparência convincente de verdade.

Caro leitor, não estranhe se você, à primeira vista, entender que muitos dos atores políticos possam, nos tempos modernos, ser qualificados como "sofistas".

A mentira ou a pós-verdade, afinal, têm se tornado parte do repertório de muitos deles nestes tempos sombrios. Não tem sido diferente com o urbanista e ex-vereador pelo PT Nabil Bonduki, que já de algum tempo faz parte do rol de colunistas fixos desta Folha.

Político que carrega a imagem do intelectual sofisticado, Bonduki virou um Chacrinha das palavras, pois faz de seu letramento uma arma usada mais para confundir do que explicar. Nunca, frise-se, em nome da verdade.

Na terça-feira passada (12), porém, Bonduki passou dos limites. Diferentemente dos filósofos gregos que usavam os sofismas e seu relativismo com certo charme especulativo, o ex-vereador do PT descambou para a mentira.

De sofista a mitômano, usando de demagogia, quis fazer colar no prefeito João Doria (PSDB) a responsabilidade pelas mortes no trânsito.

Obviamente, como todo sofista, fê-lo de maneira sub-reptícia. Usou, para tanto, um estelionato semântico ao dizer que o mote de campanha de Doria - "Acelera SP" - estimula a velocidade no trânsito e, por consequência, todas as mortes havidas em 2016.

Todos os cidadãos paulistanos sabem -inclusive os 53% que elegeram Doria em primeiro turno- que o termo "acelera" foi empregado no sentido conotativo, algo que aprendemos desde o ginásio; estava lá, desde o início da campanha, como metáfora.

Isto é, o "acelerar" era, no discurso, a vontade do povo paulistano de aumentar a velocidade de desenvolvimento paulista, principalmente no combate à lentidão burocrática que tisnou a gestão do petista Fernando Haddad, de quem Bonduki foi secretário.

O discurso foi tão bem aceito e entendido que Doria foi eleito e Haddad, derrotado.

Em leitura mais ampla, o "acelerar" é a chave do antipetismo, porque remete contra tudo o que representa o burocratismo e a apropriação do público pelo privado que caracterizaram os governos petistas no âmbito local e no nível nacional.

Frente a uma corrupção desenfreada do petróleo e aos buracos orçamentários de mais de R$ 7 bilhões deixados pela gestão Haddad, era preciso acelerar para consertar. O "acelerar" é a mudança.

Mas Bonduki jamais voltou os olhos à verdade, nem para os "buracos" de Haddad -os milhões no asfalto das ruas e os bilhões do orçamento- nem para a corrupção inequívoca dos próceres de seu partido. Bonduki camufla, como dizia o humorista antigo.

Ele prefere enganar os (e)leitores com textos melífluos e argumentos falsos como os da defesa de Lula e Dilma nos processos da Lava Jato.

Seus artigos são, para a verdade dos fatos, como o canto da sereia aos navegadores. Bonduki obnubila, faz fumaça. Bonduki mente.

Esperamos, com sinceridade, que ele continue a usar sua pena. É um favor à história que gente como Bonduki continue a escrever. Parodiando vulgarmente Marx -aliás, como sempre fazem alguns petistas- Bonduki e sua turma sempre se repetem, e como farsa. Nossa missão é desmascará-los.

AURÉLIO NOMURA é vereador pelo PSDB e líder do governo na Câmara Municipal de São Paulo

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