Folha de S. Paulo


ONU diz ver indícios de crime contra a humanidade na Venezuela

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, disse nesta segunda-feira (11) que o governo venezuelano pode ter cometido crimes contra a humanidade ao reprimir protestos e perseguir a oposição.

"Minha investigação sugere a possibilidade de que tenham sido cometidos crimes contra a humanidade, o que só pode ser confirmado por uma investigação criminal subsequente", disse Hussein durante a abertura da 36ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

"Há um perigo real de que as tensões aumentem e que o governo esmague as instituições democráticas e as vozes críticas", disse o jordaniano Hussein.

Segundo ele, o governo do ditador Nicolás Maduro instalou procedimentos criminais contra líderes da oposição, fez detenções arbitrárias e usou maus-tratos em presos como forma de tortura.

Um relatório da agência de direitos humanos das Nações Unidas do fim de agosto já tinha criticado a Venezuela por ações contra os direitos humanos e pedido uma investigação sobre os casos. Na ocasião, Hussein disse que houve uma "erosão da vida democrática" na Venezuela.

A ONU também já tinha declarado que as forças de segurança venezuelana usaram tortura e força excessiva para reprimir os protestos contra o governo.

As manifestações contra Maduro se intensificaram após o ditador anunciar a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, instalada no início de agosto.

RESPOSTA
Presente ao encontro em Genebra, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, defendeu o regime de Maduro. Segundo ele, a instalação da Constituinte ajudou a pacificar o país. "Nosso país agora está em paz", disse o diplomata,afirmando que a última morte registrada nos protestos aconteceu em 30 de julho.

Segundo a ONU, 124 pessoas morreram nas manifestações no primeiro semestre do ano. Dessas, pelo menos 73 foram vítimas das forças de segurança ou de grupos de apoio a Maduro —a responsabilidade das outras 51 mortes não foi determinada.

Para Arreaza, a diminuição no número de vítimas mostra que o país está no caminho certo. "A oposição na Venezuela está de volta no caminho da lei e da democracia e veremos um diálogo surgindo graças a mediação de nossos amigos", disse ele.

Em eventro paralelo também em Genebra nesta segunda, Diego Arria, embaixador venezuelano na ONU entre 1991 e 1994, defendeu que Maduro seja denunciado ao Tribunal Penal Internacional.

"Estou convencido de que matar nas ruas é equivalente a um crime contra a humanidade", disse ele.


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