Folha de S. Paulo


Ex-assessor de Trump recebeu US$ 13 mi em empresa de fachada, diz jornal

Paul Manafort, que foi chefe de campanha de Donald Trump, teria criado uma firma de fachada para receber US$ 13 milhões em empréstimos de duas empresas ligadas ao então candidato republicano, segundo o "New York Times".

De acordo com o jornal, os papeis para criar a empresa teriam sido assinados no dia em que Manafort deixou a campanha, em 19 de agosto de 2016, quase um mês depois da confirmação de Trump como o candidato republicano à Casa Branca.

Na época, o nome do assessor já aparecia como sendo o destinatário de supostas remessas ilegais do partido do ex-presidente ucraniano, Viktor Yanukovitch, deposto em 2014. Manafort chegou a trabalhar como consultor político de Yanukovitch, que é próximo a Moscou.

Drew Angerer/Getty Images/AFP
NEW YORK, NY - JUNE 22: Campaign chairman Paul Manafort checks the podium before Republican Presidential candidate Donald Trump speaks during an event at Trump SoHo Hotel, June 22, 2016 in New York City. Trump's remarks focused on criticisms of Democratic presidential candidate Hillary Clinton. Drew Angerer/Getty Images/AFP == FOR NEWSPAPERS, INTERNET, TELCOS & TELEVISION USE ONLY ==
Paul Manafort checa palco de debate em junho de 2016

Segundo a reportagem publicada pelo "New York Times" nesta quarta, os empréstimos no total de US$ 13 milhões vieram de uma empresa que tem à sua frente um assessor econômico de Trump e de outra ligada a um bilionário ucraniano.

A finalidade dos empréstimos não está clara nos documentos, que são públicos, mas o jornal afirma que alguns deles parecem fazer parte de um esforço de Manafort para evitar uma crise financeira pessoal após investimentos de seu genro que deram errado.

"As transações levantam uma série de questões, inclusive se a decisão de Manafort de optar por credores com conexões com Trump está relacionada ao seu papel na campanha, onde ele tinha acordado trabalhar sem remuneração", diz a reportagem.

Recentemente, as ligações de Manafort com a Ucrânia e a Rússia ganharam mais destaque na imprensa por causa das investigações sobre contatos feitos entre membros da campanha de Trump e Moscou antes das eleições.

Manafort não quis responder especificamente sobre os dois empréstimos de empresas ligadas a Trump, mas disse que eram transações "pessoais", que estavam "dentro ou acima das taxas de mercado". "Não há nada de anormal nelas", disse.


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