Folha de S. Paulo


Furacão Patricia chega à costa oeste do território mexicano

O furacão Patricia atingiu o território mexicano nesta sexta (23) às 19h15, no horário local (22h15 em Brasília), cerca de 90 quilômetros a noroeste da cidade de Manzanillo.

A tempestade trazia ventos de 265 km/h quando atingiu o continente e era classificado como um furacão de categoria 5 na escala Saffir Simpson, mas ele perdeu força e já foi reclassificado para a categoria 4.

Nesta sexta, o México entrou em alerta máximo após autoridades informarem que o furacão Patricia poderia chegar à costa com ventos de 325 km/h.

Este é o mais poderoso já registrado, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA. A categoria 5 é a última da escala e inclui furacões com ventos acima de 248 km/h.

Nasa/Associated Press
Imagem de satélite da Nasa mostra o furacão Patricia ao se aproximar do México
Imagem de satélite da Nasa mostra o furacão Patricia ao se aproximar do México

O único outro furacão de categoria 5 no Pacífico a atingir a terra também chegou ao continente perto de Manzanillo, que está no caminho do
Patricia. Em 1959, um furacão sem nome atingiu a região, causando a morte de cerca de 1.800 pessoas.

CATEGORIA 6

Com os 325 km/h, o Patrícia superou os 315 km/h do Haiyan, que devastou as Filipinas em novembro de 2013.

"Estamos diante de um fenômeno da natureza, uma força nunca vista antes no mundo. Advirto que teremos de enfrentar momentos difíceis", disse o presidente do México, Enrique Peña Nieto, a uma rádio local.

"Todos os furacões que nos atingiram no passado, Gilberto, Wilma..., não chegaram aos 300 km/h. Se houvesse uma categoria 6 [na escala Saffir Simpson], este furacão estaria nessa categoria", acrescentou Peña Nieto, pedindo em seguida que as pessoas nas zonas de risco buscassem abrigo e seguissem a orientação dos funcionários do governo.

CARROS, CASAS, PESSOAS

Autoridades alertaram a população de que um furacão com tal intensidade é capaz de levantar automóveis, destruir casas que não estejam cimentadas com aço e arrastar pessoas nas ruas.

O governo mexicano declarou estado de emergência e ordenou a evacuação de pequenas populações costeiras, o fechamento de alguns portos em alguns Estados, o corte preventivo de energia, a suspensão de aulas em várias áreas de risco e a retirada de milhares de turistas.

DEVASTADOR

Segundo o ministro do Interior, Miguel Ángel Osorio, a situação é especialmente preocupante na região turística de Puerto Vallarta (Jalisco), onde poucas pessoas procuraram os abrigos disponibilizados.

"As pessoas precisam entender a magnitude desse furacão, ele será devastador, o maior já registrado", disse na manhã de sexta.

Nos hotéis da cidade, dezenas de pessoas faziam check-out temendo a chegada do Patricia. "O hotel nos disse que nada vai acontecer, mas é a natureza. Tudo pode acontecer", disse Sandra Rojas, turista costa-riquenha.

Segundo o jornal "El Universal", já foram retirados ao menos 10 mil turistas da costa do Estado de Jalisco.

No Twitter, Peña Nieto lançou apelo para que a população seguisse as recomendações da Conagua (Comissão Nacional da Água), o serviço meteorológico do México.


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