Folha de S. Paulo


Em vídeo, papa defende bispo acusado de acobertar pedofilia

Um canal de TV do Chile divulgou um vídeo que mostra o papa Francisco defendendo o bispo de Osorno, no Chile, monsenhor Juan Barros, acusado de acobertar os crimes de pedofilia de um padre.

No vídeo, gravado em maio e divulgado nesta sexta-feira (2) pelo cana Mega, Francisco culpa os esquerdistas pela campanha contra Barros. "Não se deixem ser guiados pelos esquerdistas que tramaram isso", diz a visitantes chilenos no Vaticano.

Ele argumenta que as acusações contra Barros foram arquivadas pela Justiça do país. Jaime Coiro, clérigo e ex-porta-voz da igreja no Chile, afirmou em sua conta no Twitter que estava no encontro com o pontífice e que era a ele que Francisco se dirigia no vídeo. Ele afirmou que o vídeo foi gravado em um iPad por um argentino que estava próximo.

Mario Mendoza Cabrera -21.mar.2015/Associated Press
O monsenhor Juan Barros (centro) durante sua cerimônia de ordenação como bispo de Osorno, no Chile
O monsenhor Juan Barros (centro) durante sua cerimônia de ordenação como bispo de Osorno, no Chile

Um porta voz do canal Mega disse à agência Associated Press que obteve o vídeo de uma fonte confidencial. O Vaticano não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Os comentários de Francisco, porém, são condizentes com sua postura de apoio a Barros. Em março, o Vaticano divulgou uma nota defendendo o bispo das acusações de parte da comunidade católica chilena.

Barros é acusado de ter feito vista grossa aos crimes de pedofilia cometidos pelo padre Fernando Karadima, condenado em 2011 por abusar sexualmente de adolescentes. Pelo menos três das supostas vítimas alegaram que Barros sabia dos abusos e chegou a estar presente quando alguns deles ocorreram. O bispo afirma que não sabia de nada.


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