Folha de S. Paulo


Dilma diz ver eleição à OMC 'com satisfação'; veja repercussão

O Palácio do Planalto recebeu "com satisfação" a indicação do brasileiro Roberto Azevêdo para a OMC (Organização Mundial do Comércio), segundo nota oficial assinada pela presidente Dilma Rousseff.

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Ele foi eleito nesta terça-feira para o cargo de diretor-geral da OMC. É a primeira vez em que um latino-americano é eleito para um mandato completo de quatro anos.

Dilma ligou para Azevêdo por volta das 15h para cumprimentá-lo pela eleição. Na nota, ela também agradeceu o apoio que o candidato "recebeu de governos de todo o mundo nas três rodadas de votação".

A interpretação no Palácio do Planalto é que esse apoio contínuo, de vários países ao longo de todo o processo, foi essencial para a eleição de Azevêdo.

Segundo a presidente, "ao apresentar o nome do embaixador Azevêdo para esta alta função, o Brasil tinha claro que, por sua experiência e compromisso, ele poderia conduzir a Organização na direção de um ordenamento mundial mais dinâmico e justo".

"Essa não é uma vitória do Brasil nem de um grupo de países, mas da Organização Mundial do Comércio", diz Dilma no documento oficial.

CHANCELER

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que a eleição demonstra uma "ordem internacional em transformação". "É um resultado importante. Os países emergentes demonstram capacidade de liderança. Uma liderança que tem apoio no mundo em desenvolvimento, mas com reconhecimento no mundo desenvolvido", afirmou.

Segundo ele, a eleição foi possível pelo currículo de Azevêdo, que se especializou em comércio internacional, e pelo forte empenho do governo brasileiro na campanha. "Se consegue uma eleição como esta mobilizando toda a máquina da nossa diplomacia", disse. "Todo o governo trabalhou muito nessa candidatura. O Itamaraty trabalhou de forma incansável."

DESENVOLVIMENTO

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, também comemorou a escolha e afirmou afirmou que a eleição "é uma vitória de todo o mundo, não só do Brasil". "Trabalhamos duro por isso e estamos muito felizes", afirmou.

O resultado da votação será anunciado oficialmente na quarta-feira (8) e a nomeação de Azevêdo será oficializada no dia 14, durante reunião do Conselho Geral da OMC. Ao todo, nove candidatos concorreram à sucessão do francês Pascal Lamy, dono do cargo há oito anos. Azevêdo assume o posto em setembro.

VALE

O presidente da Vale disse que o aumento da participação do Brasil no comércio internacional credenciou o país a assumir a presidência da OMC e elogiou Azevêdo. "É a OMC que vai ganhar, com a presença de uma personalidade de tamanha relevância", afirmou Ferreira.

"O Brasil, nos últimos anos, aumentou fortemente o nível de importações, provando que tem todas as condições, tanto no viés de exportações quanto no de importações, de ser um ativo participante das decisões do comércio internacional".

INDÚSTRIA

Em nota, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) afirmou considerar que a escolha de Azevêdo foi "um reconhecimento à qualidade da diplomacia brasileira" e elogiou o embaixador.

"A expectativa da CNI é que, ao assumir o cargo, Azevêdo resgate a relevância do principal órgão de administração do comércio internacional e fortaleça o sistema multilateral de negócios", afirmou o texto. "O fortalecimento da OMC é importante para a construção de regras claras que deem estabilidade jurídica para os fluxos comercias, atendam aos compromissos assumidos entre os países e combatam práticas desleais, como subsídios à exportação e dumping."


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