Folha de S. Paulo


Leilão de transmissão atrai forte disputa, e descontos ultrapassam 40%

Paulo Whitaker/Reuters
Linhas de energia conectando torres de eletricidade de alta tensão, em Brasília 31/08/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
A previsão de investimentos com todos os projetos é de até R$ 8,7 bilhões

O leilão de linhas de transmissão desta sexta (15) atraiu forte concorrência e lotou a sede da B3 (Bolsa de Valores) em São Paulo.

A disputa foi acirrada: a média de proponentes por lote foi de 14,09 -o dobro do registrado no último leilão de transmissão, em abril.

Como resultado, o deságio médio chegou a 40,46%. A taxa superou o desconto do último certame, de 36,5%, e atingiu a seu maior patamar para o segmento desde 2011.

A concorrência se notava antes mesmo de os lances começarem: dez minutos antes do início do leilão, cerca de 200 pessoas ainda aguardavam para entrar no local, e muitas ficaram para fora.

"Os descontos foram bastante agressivos. Colaboraram a queda de taxa de juros e o alto interesse pelos lotes, mas, ainda assim, foi acima do esperado. Estão assumindo um risco maior que nos últimos leilões", afirma Marcos Ganut, diretor-executivo da consultoria Alvarez & Marsal.

Os grupos que mais se destacaram foram os indianos da Sterlite Power Grid, a francesa Engie e a espanhola Neoenergia.

Juntas, as três empresas serão responsáveis por investir 77% dos R$ 8,74 bilhões previstos com os 11 lotes leiloados. O prazo das obras varia de 36 a 60 meses, e as concessões são de 30 anos.

A chinesa State Grid, de quem se esperava uma forte atuação, fez lances moderados e não levou lotes. "Houve uma mudança de perfil. Agora que [os chineses] já têm grandes ativos no país, estão mais cautelosos", afirma Thaís Prandini, diretora-executiva da consultoria Thymos.

NOVOS AGENTES

Os leilões de transmissão de 2017 marcam a entrada de agentes privados no setor.

A estreia da Sterlite Power Grid, que levou dois projetos em abril, atraiu outras indianas, a Adani Transmission e a Power Grid Corporation of India, que, no entanto, ainda não levaram ativos.

A francesa Engie, que também decidiu entrar no segmento em 2017, levou suas primeiras linhas de transmissão, no Paraná, com previsão de investir R$ 2 bilhões.

A decisão de entrar no setor se deu por uma mudança da dinâmica do mercado, diz Eduardo Sattamini, presidente da empresa no Brasil.

"[Antes] existia uma competição com estatais e empresas que tinham parâmetros diferentes de entes privados. Hoje, a maior parte dos agentes busca retornos compatíveis com a atividade."

A Neoenergia, que tem forte atuação em distribuição, levou dois lotes e ampliará sua atuação no segmento.

GERAÇÃO

Após sucesso do leilão de transmissão, a perspectiva para os certames de geração marcados para a próxima semana são bastante positivas.

Estão previstos dois leilões para a construção de novas usinas. O primeiro é um A-4 (com entrega dos empreendimentos em um prazo de 4 anos) e ocorrerá na segunda (18). O segundo, que é um A-6 (entrega em 6 anos), está marcado na quarta (20).

"A expectativa inicial era que o segundo leilão [os de geração] fosse mais disputado que o de hoje, mas acho que teremos o mesmo perfil: investidores agressivos, caras novas e um movimento interessante", afirma Ganut.

A Engie é uma das empresas que repetirá a atuação nas concorrências de geração.

"O objetivo é capturar mais crescimento para a companhia, temos que aproveitar o momento competitivo em que estamos", disse o presidente.

NOVAS LINHASO leilão concedeu 11 lotes para a construção, operação e manutenção de 4.919 km de linhas de transmissão e subestações

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