Folha de S. Paulo


Eventual governo do PMDB não vai cortar o social, diz aliado de Temer

Mauro Pimentel/Folhapress
RIO DE JANEIRO, RJ, 18.09.2015: RETRATO MINISTRO MOREIRA FRANCO - Retrato do Ministro Moreira Franco, para a secao Entrevista de Segunda. (Foto: Mauro Pimentel/Folhapress, FSP-FOTO) ***EXCLUSIVO FOLHA***
O ex-ministro Moreira Franco, do PMDB, um dos conselheiros do vice Michel Temer

O PMDB "está à esquerda" na área social e não pretende cortar os benefícios que estão em vigor, disse Moreira Franco, um dos principais aliados do vice Michel Temer, que pode chegar à presidência em caso de impeachment de Dilma Rousseff.

Responsável pelas diretrizes econômicas e políticas do PMDB, Moreira coordenou o "Ponte para o Futuro", uma prévia do que seria um governo Temer na área econômica. Agora, ele pilota uma segunda edição do documento, focado nos programas sociais.

O ex-governador do Rio e ex-ministro de Dilma (primeiro na Secretaria de Assuntos Estratégicos, depois na Aviação Civil) disse à Folha que não está nos planos do partido –caso Temer chegue à presidência– cortar benefícios, como o Bolsa Família, o Pro-Uni ou o Pronatec.

"Ao contrário, queremos fortalecê-los", disse ele, no dia em que o PMDB oficializou o desembarque do governo Dilma Rousseff.

Moreira afirmou que o PMDB é um partido de centro, "formado pela esquerda da direita e a direita da esquerda".

"Na área social, estamos à esquerda e, na área econômica, nós não achamos que a ideologia possa substituir as quatro operações fundamentais [da matemática]".

A frase é uma crítica indireta ao governo Dilma, que aumentou muito os gastos públicos nos últimos anos e tentou despistar o problema com manobras contábeis, as chamadas pedaladas fiscais.

Os subsídios concedidos às empresas, porém, têm a ressalva de Moreira.

"Algumas isenções [tributárias] cresceram de forma indiscriminada", afirmou, sugerindo que elas, sim, poderão ser cortadas caso Temer chegue à Presidência.

LIBERAL

Depois do "Ponte" indicar uma preferência pela orientação liberal da economia em um eventual governo do peemedebista, há a expectativa de qual será a sinalização do partido na área social.

O tema é politicamente sensível, e o PT tem a primazia entre os movimentos sociais.

Segundo Moreira, a divulgação do documento foi adiada à espera de uma breve calmaria na política.

"Queremos que as nossas propostas sejam lidas com tranquilidade, não sob a tensão política, em que está todo mundo dividido, polarizado", afirmou.

Em vez do Plano Temer 2 (apelido que recebeu a nova edição), o PMDB deu publicidade a um documento de 2002, quando Moreira convidou os economistas André Urani, Marcos Lisboa e Ricardo Paes de Barros a confeccionar o "Tirando o atraso: combate às desigualdades já".

A estratégia era mostrar que o PMDB já pensa na área social e não quer pegar carona nos programas do PT. "Muitas das coisas que estavam lá foram incorporadas no governo Lula. A estrutura do Bolsa Família estava ali", disse Moreira.

O conselheiro de Temer, cotado como um possível ministeriável, evita falar em nomes para um governo do vice.

Aliados de Temer defendem que Armínio Fraga ou Henrique Meirelles assumam o Ministério da Fazenda.

"Ainda não chegou o momento de cuidar disso", desconversou Moreira.


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