Folha de S. Paulo


Estagnação e desafios pedem troca de gestor em empresas

É comum as empresas trocarem de comando quando as coisas não vão bem ou a companhia (ou setor) passa por um desafio em particular.

Quando isso ocorre, as ações já estão em baixa e fica mais fácil recuperar a parte das perdas, o que justifica a empolgação inicial do mercado com a mudança na diretoria.

No Brasil, poucos são os casos em que a sucessão é preparada ao longo dos anos e comunicada ao mercado com uma certa antecedência.

Isso ocorre normalmente nos bancos e nas empresas familiares, quando a segunda (ou terceira) geração assume o comando.

Foi o caso da Gerdau, em que o então presidente Jorge Gerdau comunicou a saída quase seis meses antes de o filho Andre Gerdau Johannpeter, que já estava na empresa, assumir o comando em janeiro de 2007.

As ações da siderúrgica subiram 1,69% no primeiro mês da nova gestão (ante 0,77% do Ibovespa). No primeiro ano, a alta foi de 48,84%, enquanto o principal índice da Bolsa subiu 43,65%.

CONSTRUÇÃO

Alguns setores passam por desafios tão grandes e de difícil solução que a troca de comando não consegue empolgar os investidores por muito tempo.

Várias construtoras e incorporadoras passaram por troca na presidência desde 2011, após o boom de aberturas de capital na Bolsa e os vários negócios frustrados e empreendimentos encalhados.

A construtora Even, por exemplo, teve alta de 6,45% nas ações quando Carlos Eduardo Terepins assumiu em maio de 2011. Um ano depois, os papéis tinham baixa de 4,05% –praticamente o mesmo desempenho do Ibovespa, que recuou 4,08%.

No caso da PDG, o presidente Carlos Augusto Piani, que assumiu em agosto de 2012, a empolgação inicial e também a decepção foram maiores. As ações subiram 6,11% (ante alta de 1,3% do Ibovespa) no primeiro mês, mas recuaram 36,94% no primeiro ano, enquanto o Ibovespa subiu 14,53%.


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