Folha de S. Paulo


Brasil estaciona e é pior dos Brics em ranking de avaliação de inglês

Na Lata
Alunos em curso de inglês na região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo
Alunos em curso de inglês na região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo

O Brasil se manteve estagnado no ranking mundial de avaliação do nível de proficiência em inglês. Se comparado com os países dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África Do Sul), o país é o último colocado no que se refere ao domínio da língua.

Com pontuação de 50,66, o Brasil continua na categoria de "proficiência baixa" ao ficar na 40ª posição no Índice de Proficiência em Inglês (EPI, na sigla em inglês) da EF Education First, empresa de educação internacional especializada em intercâmbio, divulgado nesta quarta-feira (16). Nesta edição, o índice mediu o domínio da língua em 72 países.

No ano passado, o desempenho dos brasileiros foi melhor, com pontuação de 51,05, mas ficou na 41ª posição entre 70 países avaliados. O resultado só não foi pior do que o apontado em 2012, na segunda edição do estudo, quando o nível de proficiência dos brasileiros foi classificado como muito baixo.

"O Brasil continua estagnado, o que mostra que as políticas de ensino do idioma não se mostraram efetivas nos últimos anos. Com a retomada do debate sobre reforma do ensino médio, o Brasil pode olhar para outros países que passaram por esse processo. A importância do foco deve ser feita de forma correta combinado com seus atores, isto é, com professores, alunos e metodologia", disse Luciano Timm, vice-presidente de Relações Institucionais e Acadêmicas da EF Educaton First.

O presidente Michel Temer apresentou uma medida provisória de reforma do ensino médio que prevê, entre outras propostas, que o ensino da língua inglesa seja obrigatório a partir do sexto ano. Até então, era obrigatória a inclusão de uma língua estrangeira moderna a partir do quinto ano. Além disso, a escolha do idioma era de responsabilidade da "comunidade escolar".

Índice de proficiência em língua inglesa - Por faixa etária; Brasil tem notas menores do que a média mundial em todas as faixas

BRICS

Entre os Brics, o Brasil apresenta a pior posição no ranking, atrás de China (39), Rússia (34) e Índia (22), que apesar de o inglês ser uma das línguas oficiais, ele não é tão disseminado no país. A África do Sul não faz parte do índice porque o inglês é uma das línguas oficiais. Na edição de 2015, o Brasil havia ultrapassado a China.

"A nossa observação é que estamos parados por falta de definições fundamentais em educação. Estamos falando da capacidade competitiva dos brasileiros e da empresas na qual o Brasil não pode se dar ao luxo de estar desconectado das outras nações, por isso, precisamos dar esse importante passo de tornar o inglês como parte estratégica para competir no mundo", afirmou Timm.

Ele afirma ainda que a China entendeu que o inglês é o básico dessa pirâmide de educação e que um grande número de empresas chinesas precisam estar disponível para se fazer negócios. "Tem uma correlação do inglês com a possibilidade de fazer negócios. E a China, com a definição de ser tornar um líder mundial de inovação, entendeu que o inglês é um ponto importante para a concretização desses negócios."

AMÉRICA LATINA

Sobre a América Latina, Luciano Timm ressalta que a proficiência entre os adultos é fraca e tem diminuído em muitos países desde o ano passado. Dos 14 países que participam do ranking, 12 apresentam queda nas faixas de proficiência mais baixas –inclusive, o Brasil.

A Argentina apresenta o melhor nível de proficiência em inglês na América Latina –com 58,40, os hermanos estão na categoria proficiência alta. A República Dominicana aparece um nível abaixo dos argentinos, na categoria proficiência moderada, com 57,24.

Timm explica que os professores de inglês na Argentina são altamente qualificados, pois precisam completar um programa de graduação de cinco anos para ensinarem em escolas públicas. "Em sua mais recente lei nacional de educação, aprovada em 2006, o governo argentino tornou obrigatório o ensino do inglês como língua estrangeira nas escolas públicas para todos os estudantes desde a 4ª até a 12ª série."

Índice de proficiência em língua inglesa - Notas nos países da América Latina

BRASIL

No país, apenas Distrito Federal e Rio Grande do Sul, com pontuação de 53,01 e 52,88, respectivamente, têm proficiência considerada moderada. Na edição 2015, o Estado de São Paulo também configurava nessa categoria com 53,6, mas, este ano, os paulistas tiveram uma pontuação de 51,49 e foram rebaixados para a categoria de proficiência baixa.

Na mesma categoria de São Paulo ainda estão Rio de Janeiro, Paraná, Maranhão, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Ceará e Pernambuco (confira abaixo o ranking no país).

O Estado de Mato Grosso foi o mais mal avaliado, com 44,4 pontos. No ano passado, Rondônia ocupava esta posição –este ano, o Estado subiu de 44,79 para 47,40, mas ainda continua na proficiência muito baixa. O estudo também considerou a classificação por cidades. Os brasilienses, os paulistanos e os campineiros se saíram melhor e ficaram com as três primeiras colocações, todos com proficiência moderada.

"O Brasil precisa investir em uma reforma educacional para implementar uma nova política para o ensino médio, que determina que o inglês passe a ser disciplina obrigatória em todas as escolas, dar capacitação de professores de inglês em larga escala e o uso inovador de metodologias de ensino podem mudar esse cenário ", disse Timm.

Índice de proficiência em língua inglesa - Por UF

Wellington Miyazaki, 34, gerente da Vecpa Inglês Corporativo, afirma que houve um aumento na procura por um inglês voltado ao mercado de negócios. "O Brasil tem ganhado participação no cenário global, com mais transações internacionais, com empresas querendo investir no Brasil. As pessoas nos procuram em busca de aprender inglês para crescer na carreira".

A empresa de Miyazaki faz uma ponte entre os professores e as pessoas que precisam aprender o inglês. Ele explica que os alunos os procuraram com objetivos bem claros de que tipo de inglês querem aprender. "Quem está no mercado de trabalho não quer aprender inglês com uma metodologia voltada aos adolescentes. Geralmente, os nossos alunos são pessoas que receberam algum tipo de promoção na empresa ou que trabalham em multinacionais e precisam negociar com empresários estrangeiros."

No ranking mundial da EF EducationFirst, as mulheres tiveram desempenho melhor que os homens em quase todos os países e faixas etários. Segundo Timm, essa constatação tem sido consistente em todas as edições do estudo.

Miyazaki também concorda com Timm que as mulheres falam inglês melhor do que os homens. Ele lembra que 70% de seus alunos são mulheres, principalmente, pela ascensão feminina no mercado de trabalho. "Boa parte delas foram promovidas e chegaram em situações corporativas em que houve um aumento da demanda por inglês."

MELHORES E PIORES

Depois de ocupar a segunda posição por dois anos consecutivos, a Holanda obteve o melhor desempenho, com 72,16. O Iraque, país do Oriente Médio, teve a menor proficiência, com 37,65, posição que já havia ocupado na edição de 2014.

Pela primeira vez, um país asiático faz parte do grupo de proficiência mais alta: Cingapura, com 63,52. Malásia e Filipinas também estão entre os 15 primeiros países do mundo.

"Em uma economia global volátil, a proficiência em inglês é uma das poucas habilidades com capacidade comprovada para gerar oportunidades e reforçar a empregabilidade", disse Minh N. Tran, Diretor de Pesquisa da EF Education First. "É preciso uma grande dose de esforço e investimento para dirigir um país ou empresa para um futuro com uma força de trabalho capaz de dominar o idioma", conclui.

O levantamento foi elaborado com base em dados obtidos de mais de 950 mil pessoas que realizaram o teste de inglês on-line em 2015. Somente os países com um mínimo de 400 participantes foram incluídos no índice.

Entre as habilidades avaliadas estão o domínio de gramática, vocabulário, leitura e compreensão de adultos que não têm o inglês como língua nativa. O resultado do exame leva em conta o padrão internacional do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR).

Proficiência em língua inglesa no mundo


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