Folha de S. Paulo


Justiça decreta prisão de mãe de jovem assassinado no interior de SP

Reprodução/Facebook
A gerente Tatiana Lozano Pereira confessou na tarde desta quarta-feira (11) ter matado o filho de 19 anos em Cravinhos, região metropolitana de Ribeirão Preto. O crime foi registrado pela Polícia Civil. Segundo informações do jornal A Cidade, ela admitiu ter esfaqueado Itaberlly Lozano no dia 29 de dezembro com a ajuda do marido, padrasto do rapaz, que incendiou o corpo em um canavial.
A gerente Tatiana Lozano Pereira confessou ter matado o filho de 19 anos em Cravinhos

A Justiça paulista decretou a prisão preventiva de Tatiana Lozano Pereira, 32, mãe do adolescente Itaberly Lozano Rosa, 17, encontrado morto em Cravinhos (a 292 km de São Paulo), no mês passado.

Itaberly, que era homossexual, foi morto a golpes de faca em 29 de dezembro. O corpo, no entanto, só foi encontrado no dia 7, num canavial próximo à rodovia José Fregonesi. Além dela, outros três suspeitos de participação no crime tiveram as prisões preventivas decretadas.

A mãe, gerente de supermercado, chegou a confessar ter matado o filho a facadas no primeiro depoimento, mas mudou a versão para a morte do adolescente na segunda vez que falou à Polícia Civil e responsabilizou outras três pessoas pelo homicídio.

No primeiro depoimento, ela tinha afirmado que o esfaqueou em casa e, com o auxílio do marido, o tratorista Alex Canteli Pereira, levou o corpo para ser queimado numa lavoura de cana-de-açúcar.

No segundo depoimento, no entanto, ela disse ter sido procurada por um trio que a questionou se o filho precisava de um "corretivo". Ao afirmar que sim, eles teriam esperado o jovem chegar em casa, entraram em seu quarto, usando capuzes, e cometeram o crime.

Nesse momento, ela estaria fora de casa e, ao retornar, encontrou o filho morto, ainda conforme o segundo depoimento. Com medo de ser culpada, teve a ideia de ocultar o corpo, acordou o marido, padrasto de Itaberly, que ajudou-a a enrolar o corpo num edredom, atirar num canavial e atear fogo. Ela, no entanto, não soube dar os nomes dos suspeitos do crime.

O inquérito do caso foi concluído na última semana pela Polícia Civil, que pediu a prisão preventiva e indiciou os envolvidos por homicídio e ocultação de cadáver.

A gerente de supermercado já estava presa temporariamente na Penitenciária de Tremembé, e continuará na mesma prisão com a decretação da preventiva.

O padrasto e outros dois suspeitos de espancar o adolescente a pedido da mãe estavam detidos desde 11 de janeiro na cadeia de Santa Rosa de Viterbo. Serão levados agora a um CDP (Centro de Detenção Provisória).

A Folha não localizou o advogado de defesa do casal neste sábado (11).

HOMOFOBIA

Itaberly, segundo a polícia, relatou num boletim de ocorrência que era constantemente chamado de "veado desgraçado" por um tio materno. Esse tio, pelo registro, o ameaçou de agressão física.

A ocorrência foi registrada em março de 2015 e, nela, o adolescente relatou que sofria ameaças violentas do homem. A polícia informou, no entanto, não acreditar em crime por homofobia.

Quando confessou o crime, a mãe do jovem disse não ter nada contra o filho ser homossexual. O que Tatiana reprovava, segundo a confissão inicial, era que o filho levasse outros homens para casa e o fato de ele ser usuário de drogas –ela diz já tê-lo visto "inalar algo parecido com cocaína".

O registro da ocorrência foi arquivado à época. Um familiar do jovem disse à Folha que ele não era usuário de drogas.


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