Folha de S. Paulo


Chatice paulistana

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo vive um clima chatíssimo em torno das discussões sobre implantação de ciclovias, redução de velocidade nas marginais e fechamento da avenida Paulista aos domingos.

Por aqui, a impressão é que ou a pessoa é simpática às três iniciativas ou é radicalmente contrária a todas elas. Difícil encontrar nas ruas, numa roda de amigos, numa refeição em família ou nas redes sociais, principalmente, uma visão ponderada. As pessoas espumam e aumentam o tom de voz quando falam sobre isso.

Parece terceiro turno de eleição e, não à toa, notícias sobre esses temas sempre chegam rapidamente ao topo da audiência na internet.

Representantes desses dois lados se encontraram domingo no cruzamento da Paulista com a rua Augusta. No meio da ciclovia, um casal xingou e logo partiu para a intimidação física contra o prefeito Fernando Haddad. Por pouco a dupla não foi espancada por cicloativistas. A rede social tinha baixado ali.

O fato é que o debate sobre essas políticas públicas está contaminado. O antipetismo está cada vez mais forte na cidade, e o petista Haddad e sua equipe não colaboraram em nada para acalmar os ânimos.

Aqueles que têm a obrigação de levantar a bandeira branca colocam mais lenha nessa fogueira, com decisões apressadas, recuos e provocações. Para o prefeito, por exemplo, as críticas à mal planejada ciclovia sob o Minhocão são simples fruto de "luta política partidária". Um mea-culpa nesse gabinete é coisa raríssima.

Ainda bem que na cidade existe gente como o aposentado João Vasconcelos, 65. No último domingo, surpreendido com o fechamento da Paulista, ele não xingou ninguém nem usou de ironia ao perceber que a rota de seu ônibus para a zona leste da cidade tinha sido desviada para um lugar desconhecido.

"Não tem problema, eu pego o metrô. Acho muito bonito ver o pessoal tendo todo esse lazer aos domingos."


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