Folha de S. Paulo


Superlua com eclipse lunar enfeita o céu de domingo

Neste domingo, teremos um eclipse total da Lua visível em todo o Brasil, e duas circunstâncias diferentes concorrem para torná-lo especial.

A primeira e mais notável delas é que o momento do eclipse –quando a Terra se interpõe entre o Sol e a Lua, projetando sua sombra sobre o satélite natural– será quase concomitante ao perigeu lunar, ou seja, o momento em que a Lua está mais perto da Terra.

Nosso satélite natural orbita ao redor do planeta numa órbita que não é exatamente circular, mas ligeiramente oval. Por isso, há essa variação de distância.

Infográfico: Eclipse da Superlua

No caso em questão, no momento do eclipse, a Lua estará a apenas 356,8 mil km da Terra (a distância média é de 384 mil km, e a máxima ultrapassa os 402 mil km).

A implicação óbvia é que o diâmetro da Lua parecerá um pouco maior do que o usual. Quando isso se dá durante a fase cheia, a moda recente é chamá-la de superlua.

Uma coincidência tão grande da superlua com o eclipse lunar é relativamente rara e aconteceu apenas cinco vezes desde 1900 (em 1910, 1928, 1946, 1964 e 1982). O próximo só vai ocorrer em 2033.

Já o próximo eclipse lunar ocorre bem antes, em 2018. Também acontecerá perto do perigeu, embora não tanto quanto agora. "Similarmente, [no eclipse] em 21 de janeiro de 2019 a Lua estará apenas 0,23% mais longe do que agora, e em 26 de maio de 2021, meros 0,16%", lembra o astrônomo alemão Daniel Fischer.

Isso ajuda a mostrar que também não é uma coisa tão rara assim, do ponto de vista prático.

TÉTRADE

Já a segunda circunstância a tornar especial a ocorrência do eclipse deste domingo é o fato de que ele marca uma sequência de quatro eclipses totais lunares em apenas dois anos –uma série tétrade.

De tempos em tempos, os movimentos celestes se sincronizam para produzir essas séries. Durante o século 21, estamos vivenciando a maior sequência de tétrades dos últimos mil anos. São oito ao todo. A última tétrade aconteceu entre 2003 e 2004, e a próxima será entre 2032 e 2033.

O QUE SE VÊ

O fenômeno começa às 21h11 de domingo (pelo horário de Brasília), quando a Lua começa a avançar sob a penumbra da Terra. Essa etapa é menos perceptível, porque apenas parte da luz solar é bloqueada e a redução de brilho lunar é muito sutil.

O espetáculo mesmo acontece a partir das 22h07, quando começa a fase umbral, e a sombra da Terra começa a escurecer gradualmente a Lua. O fenômeno poderá ser visto a olho nu, se o céu não estiver encoberto.

A totalidade é atingida às 23h11, quando a Lua ganha uma cor avermelhada. Isso se dá porque a única luz solar que vai até ela é a que atravessou as bordas da atmosfera terrestre antes de chegar lá.

Como se pode ver durante um pôr do Sol, a atmosfera tende a espalhar as cores mais energéticas (azuladas), deixando só os tons avermelhados fazerem a travessia completa do invólucro de ar.

Então, o mesmo processo que torna o nascente e o poente avermelhados é o que cria a Lua "sangrenta", como gostam de chamar alguns mais dramáticos.

A fase de totalidade do eclipse lunar termina à 0h23 de segunda-feira, e aí temos um replay em ordem inversa do que vimos no início do eclipse. Depois de 1h27, estaremos já na fase penumbral novamente, pouco perceptível.


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