Folha de S. Paulo


Após derretimento do gelo no Ártico, 35 mil morsas invadem praia no Alasca

Corey Accardo-27.set.2014/AFP
Foto mostrando uma quantidade estimada de 35 mil de morsas aglomeradas em terra firme
Foto mostrando uma quantidade estimada de 35 mil de morsas aglomeradas em terra firme

Morsas do Pacífico que não conseguem encontrar gelo nas águas do Ártico para descansar estão invadindo, em números recordes, uma praia no noroeste do Alasca.

Estima-se que 35 mil morsas tenham sido fotografados sábado cerca de 8 km ao norte de Point Lay, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), agência norte-americana.

Point Lay é uma aldeia de esquimós, 480 km a a sudoeste de Barrow e pouco mais de 1.000 km a noroeste de Anchorage, cidade mais populosa do Alasca.

O grande encontro foi flagrado durante o levantamento anual de mamíferos marinhos árticos, feito pela NOAA, disse a porta-voz Julie Speegle, por e-mail. A pesquisa é realizada com o Centro de Manejo de Energia dos Oceanos, agência que supervisiona as concessões para exploração em águas marinhas e oceânicas.

Andrea Medeiros, porta-voz da agência americana responsável por cuidar dos peixes e da vida selvagem, disse morsas foram vistas pela primeira vez no dia 13 de setembro, ora em terra firme ora voltando ao mar.

Na semana passada, observadores viram, na praia, cerca de 50 carcaças de animais que podem ter sido mortos esmagados em meio à confusão. A agência foi montou uma equipe de necropsia para determinar a causa da morte. "Eles vão tirá-los de lá na próxima semana", disse Medeiros.

A grande reunião de morsas em terra é um fenômeno que tem acompanhado o derretimento de gelo marinho no verão, que acompanhou o aquecimento do clima.

Morsas do Pacífico passam os invernos no mar de Bering. As fêmeas dão à luz no gelo marinho e usam o gelo como plataforma de mergulho para caçar caracóis, moluscos e vermes na em águas rasas

Diferentemente de focas, morsas não podem nadar por tempo indeterminado e têm que descansar. Eles usam suas presas para se arrastar para plataformas de gelo ou rochas.

Corey Accardo - 23.set.2014/AFP
Após aglomeração, já foram encontradas cerca de 50 carcaças de morsas, especialmente jovens
Após aglomeração, já foram encontradas cerca de 50 carcaças de morsas, especialmente jovens

À medida que a temperatura aumenta no verão, o tamanho das plataformas de gelo no mar diminui. As fêmeas e os filhotes se movem pela costa da geleira até o mar de Chukchi, ao norte do estreito de Bering.

Nos últimos anos, o gelo marinho recuou para norte além das águas rasas da plataforma continental e em águas do oceano Ártico, onde a profundidades excede 3 km, não permitindo o mergulho das morsas até o fundo para pegar comida.

Morsas em grandes números foram vistas pela primeira vez no lado norte-americano do Mar Chukchi em 2007, e novamente em 2009 e em 2011. Cientistas estimam 30 mil morsas ao longo do um quilômetro de praia próxima a Point Lay.

Os animais jovens são vulneráveis a serem esmagados quando um grupo se reúne quase ombro a ombro em uma praia. Essas aglomerações podem ser desencadeados por um urso polar, caçadores humanos ou mesmo por um avião em baixa altitude.

As carcaças de mais de 130 morsas, a maioria delas jovens, foram contadas após um tumulto em setembro de 2009 em Icy Cape, também no Alasca.

A ONG WWF (World Wildlife Fund), disse que morsas também se reúnem em grandes grupos no lado russo do Mar Chukchi.

"É mais um sinal notável das dramáticas condições ambientais em mudança como resultado da perda de gelo marinho", disse Margaret Williams, diretor do programa ártico do grupo, por telefone, de Washington.

"As morsas estão nos dizendo que os ursos polares têm dito a nós e o que muitos indígenas nos disseram no alto Ártico: o ambiente do Ártico está mudando muito rapidamente e é tempo de o resto do mundo tomar conhecimento e também tomar as medidas necessárias para combater as causas mais importantes que levam à mudança climática", diz.

Neste verão, o limite inferior do gelo marinho o sexto menor desde que o monitoramento por satélite começou, em 1979.


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