Folha de S. Paulo


Plano alimentar mínimo é rico em calorias, mas pobre em nutrientes

Especialistas que analisaram a dieta criada pela Folha para testar o limite da linha de miséria de R$ 70 afirmaram que fazer uma alimentação realmente equilibrada sairia ainda mais caro.

"Com todas essas calorias e na falta de vários nutrientes, podemos manter o peso elevado, mas sem saúde. Vai ter uma população até obesa, e desnutrida. Essa dieta teria que ser mais cara", afirma Celso Cukier, médico nutrólogo do Instituto de Metabolismo e Nutrição.

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Para a nutricionista funcional Daniela Jobst, apesar de ser o último documento oficial, o guia do Ministério da Saúde está desatualizado.

Jobst trocaria, por exemplo, uma porção de cereais e uma de leite por mais uma de carne ou ovos.

"Essa diretriz é muito básica. Tem muita porção de farináceos, que até são mais baratos. As coisas boas para a saúde acabam sendo mais caras", afirmou a especialista em nutrição funcional.

Procurado, o Ministério da Saúde afirmou que o guia, de 2006, é o documento mais recente com diretrizes alimentares, baseadas em recomendações internacionais.

De acordo com o ministério, o documento está em reavaliação, feita rotineiramente. A pasta não quis, no entanto, se manifestar sobre o teor da reportagem.

ALTERNATIVAS

O fato de R$ 70 não serem suficientes para comprar os alimentos da dieta não significa que quem ganha menos do que esse valor morreria de fome.

Boa parte dos miseráveis usa restaurantes populares (com refeições por R$ 1,25), se alimenta do que planta ou coleta, recebe comida como esmola, come na escola ou troca pequenos serviços por alimentação.


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