Folha de S. Paulo


Turquia detém 18 em investigação sobre explosão que matou 301

A polícia turca prendeu 18 pessoas durante a investigação sobre as causas da explosão que matou 301 pessoas numa mina de carvão na última terça-feira (13) na cidade de Soma, na província de Manisa, no oeste da Turquia.

Entre os detidos estão executivos da empresa Soma Holding, que operava a mina: Ramazan Dogru, gerente geral da mina, e seu gerente de operações, Akin Celik. A promotoria colheu depoimentos de cinco pessoas neste domingo, mas não informou quais.

O número de vítimas foi atualizado no sábado (17), após o resgate dos últimos corpos, tornando este o pior acidente industrial da história do país. Os trabalhos de resgate foram encerrados.

A empresa Soma Komur, que opera a mina, negou qualquer responsabilidade. "Todos trabalhamos muito duro. Em vinte anos, nunca vi um acidente assim", disse Celik na sexta-feira (16), numa entrevista coletiva.

Segundo um o jornal "Milliyet", existe um relatório de um especialista em segurança de minas indicando que carvão fumegante causou o colapso do teto da mina. As vigas de apoio da mina eram de madeira, em vez de metal, e havia poucos sensores de monóxido de carbono.

Tanto o governo quanto as autoridades de mineração do país, porém, dizem que o desastre não foi causado por negligência, e que a mina era regularmente inspecionada. Mas, em reação ao clamor popular, autoridades prometeram punir todos os altos funcionários da empresa que tenham sido negligentes.

A tragédia causou indignação dos cidadãos na Turquia, impulsionada por acusações de culpa do governo e o que muitos viram como uma resposta insensível. Na sexta-feira, circularam pela internet vídeos em que o primeiro-ministro do país, Recep Tayyip Erdogan, aparece agredindo um cidadão que protestava.


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