Folha de S. Paulo


Crítica: Trangressão de Alex Vallauri é higienizada em mostra no MAM

A retrospectiva da obra de Alex Vallauri (1949-1987), em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo, é uma excelente oportunidade para se refletir sobre como instituições de arte devem tratar obras com caráter efêmero, caso dos grafites do artista.

Um dos pioneiros da arte de rua no Brasil, Vallauri espalhou seus grafites em diversos locais de São Paulo, especialmente no centro e bairros próximos, como Perdizes e Pinheiros, nos anos 1970 e 1980.

Como, então, expor um artista cuja obra acontecia na rua? A tentativa mais bem sucedida em "Alex Vallauri: São Paulo e Nova York como Suporte" é a remontagem de parte da instalação "A Festa na Casa da Rainha do Frango Assado", concebida para a 18ª Bienal de São Paulo, em 1985. Através dos ambientes recriados, é possível ter noção não só do universo temático de Vallauri, como de sua maneira de ocupar o espaço.

Divulgação
O grafiteiro Alex Vallauri prepara um de seus trabalhos
O grafiteiro Alex Vallauri prepara um de seus trabalhos

Também é notável na exposição, com curadoria de João Spinelli, a reunião de gravuras, serigrafias e registros fotográficos, que precedem o trabalho mais conhecido do artista.

Contudo, é de se estranhar que instrumentos utilizados por Vallauri para fazer o grafite, como as máscaras de papel, sejam apresentadas emolduradas. Seria o mesmo que expor o pincel de Picasso como obra. Um museu não pode realizar esse tipo de fetichismo. É preciso saber apresentar ao visitante o que de fato é obra, e o que faz parte de seu contexto.

Se Vallauri tem sua transgressão um tanto higienizada, o mesmo não acontece com "Lady Warhol", mostra na sala menor do MAM, com concepção de Christopher Makos.

A radicalidade das imagens de Andy Warhol travestido mantém-se atual. Nas fotos realizadas pelo próprio Makos, Warhol é visto com distintas perucas, inspirado pela célebre imagem feminina de Marcel Duchamp (1887-1968), Rrose Selavy.

Contudo, o que conta na série não é apenas o retrato de Warhol como mulher, mas imagens de todo o processo de transformação.

ALEX VALLAURI: SÃO PAULO E NOVA YORK COMO SUPORTE E LADY WARHOL
QUANDO de ter. a dom., das 10h às 17h30; até 23/6
ONDE MAM (pq. Ibirapuera, portão 3; tel. 0/xx/11/5085-1300)
QUANTO R$ 6
AVALIAÇÃO bom (Alex Vallauri); ótimo (Lady Warhol)


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