Folha de S. Paulo


Nível do sistema Cantareira volta a cair e atinge 10,9%

O nível do sistema Cantareira registrou um novo recorde negativo nesta terça-feira (29) operando com 10,9% de sua capacidade total. De acordo com a Sabesp, esta é a primeira vez na história que o manancial atinge esta marca.

O índice é considerado crítico e a falta de previsão de chuva para a capital paulista deve agravar o problema. Na quarta e na quinta-feira uma frente fria pode causar chuva na capital e Grande São Paulo, mas de forma isolada e passageira.

O índice pluviométrico acumulado neste mês no sistema Cantareira está em 85,7mm, abaixo da média histórica para o mês que é de 89,3mm.

O manancial Cantareira é responsável pelo abastecimento de parte da capital e de municípios da Grande São Paulo. No total mais de 8 milhões de pessoas recebem água do sistema diariamente. O reservatório também atende municípios da região de Campinas, no interior do Estado.

A Sabesp faz manobras durante a madrugada em determinadas regiões de São Paulo. Durante o período, a empresa diminui a pressão no encanamento e reduz o fornecimento de água em determinadas áreas. A água só volta durante a manhã, geralmente esbranquiçada por conta do aumento do uso de cloro.

Para atenuar os efeitos da crise hídrica, o governo do Estado vem fazendo medidas pontuais nas cidades da região metropolitana de São Paulo.

Aqueles que economizarem 20% de água receberão um desconto de 30% na conta. Segundo a Sabesp, cerca de 75% da população que têm direito ao bônus reduziram o consumo no mês de março.

Até o último dia 9, quando a Folha revelou que um relatório recente da Sabesp admitia a chance de implantar um rodízio de água em São Paulo ainda neste ano, tanto a empresa quanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que será candidato à reeleição em outubro, afastavam essa possibilidade.

Ainda como medida para reduzir os impactos da seca, o governo planeja fazer uma interligação entre o Cantareira e o manancial Rio Grande. A operação deve ser realizada "em alguns meses", segundo o governador.

O sistema Rio Grande fica em um braço da represa Billings e abastece as cidades de Diadema, São Bernardo do Campo e parte de Santo André. O volume armazenado no local nesta terça (29) era de 96,1%.

Este será o terceiro sistema de abastecimento a verter água para regiões antes abastecidas pelo Cantareira. Com a falta de chuvas no início do ano, a Sabesp passou a captar água para bairros da capital nos sistemas Alto Tietê e Guarapiranga.

O Alto Tietê e o Guarapiranga apresentam volumes armazenados de 36,1% e 78%, respectivamente. Ambos operam com índices pluviométricos abaixo da média mensal histórica.

Editoria de Arte/Folhapress

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