Folha de S. Paulo


A investidores, senador Cássio Cunha Lima afirma que o governo caiu e país terá novo presidente

Painel

Nua e crua Em fala a um grupo de investidores nesta quinta (6), o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) disse que, se depender do processo na Câmara, dentro de 15 dias o país terá um novo presidente. Para o tucano, a instabilidade aumentou com a prisão de Geddel Vieira Lima, o avanço da delação de Eduardo Cunha e a escolha de Sergio Zveiter (PMDB-RJ) como relator da denúncia na CCJ. Evidenciando que uma ala do tucanato rifou Michel Temer, afirmou que o governo caiu.

Olho no futuro Ao falar das reformas, Cássio Cunha Lima disse que, se Temer continuar no Planalto, as propostas não passarão. O senador ainda enfatizou que Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, já teria dado sinais de que não mexerá na equipe econômica se assumir o governo. Maia deverá apresentar mais estabilidade.

Falando nisso Em conversa recente, petistas que atuam no Senado disseram, em tom de deboche, que o grande legado do governo Dilma Rousseff foi conseguir ressuscitar o DEM.

Desunidos Cada vez mais evidente, a disposição dos tucanos em abandonar o governo Temer ainda esbarra em ala diminuta do partido que defende a manutenção do apoio ao peemedebista.

Diminui que dá O grupo que vem perdendo força defende que a decisão sobre o rumo do partido seja tomada por um colegiado seleto: os seis governadores, o prefeito de São Paulo, João Doria, os líderes no Congresso, o presidente interino, Tasso Jereissatti, e o licenciado, Aécio Neves. FHC seria ouvido.

Sapato furado Em almoço com o ex-presidente Fernando Henrique, nesta quinta (6), Doria engrossou o coro daqueles que acham que Temer deveria buscar uma saída negociada. O prefeito pagou a conta do encontro e depois saiu para caminhar com FHC.

Vamos ter calma Aliados de Aécio Neves decidiram reagir à pressão de Doria e outros tucanos de São Paulo para que o senador renuncie ao comando do PSDB.

Seu quadrado Doria tem mais é que focar em São Paulo. Se começa a se dedicar tanto a outras questões, ele, que é um líder emergente, pode ficar ofuscado. As pessoas são implacáveis em querer resultados, disse o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG).

Pacto nacional Em encontro com parlamentares da oposição nesta semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, teria dito que não quer fazer com Temer o que ele fez com Dilma, mas avaliou que a situação do governo é insustentável.

Pacto nacional 2 Maia, segundo esses parlamentares, disse ter dúvidas se Temer conseguirá sobreviver à votação da primeira denúncia e teria indicado que a base sabe que tudo o que tem com Temer manterá comigo.

Nada disso Procurado, o presidente da Câmara negou o relato. Não é verdade. Não falei com a oposição esta semana. Só estive em uma reunião, com 40 deputados, a maioria da base, e o assunto era reforma política.

Desgraça pouca& Presidente da CCJ da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) vai colocar a PEC das Diretas em pauta na terça (11), dia seguinte à apresentação do parecer de Sergio Zveiter (PMDB-RJ) sobre a denúncia.

& é bobagem A direção da Câmara disponibilizou nesta quinta-feira (6) a denúncia e os grampos de Joesley Batista no site da Casa.

Reação A Rede vai à Justiça contra a decisão da PF de extinguir a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.


Beijinho no ombro Na quarta (5), o grupo de artistas contra Temer ganhou novo integrante. Valesca Popozuda esteve em encontro na casa de Paula Lavigne, no Rio.


TIROTEIO

A fritura de Temer está esquentando rapidamente até em sua base aliada. Nem R$ 4 bilhões em emendas estão resolvendo.

DO DEPUTADO ANDRÉ FIGUEIREDO (PDT-CE), sobre o desafio de Temer para segurar apoio dos aliados, mesmo depois de liberar emendas parlamentares.


CONTRAPONTO

Aqui é Corinthians, meu!

Logo depois de entregar a defesa de Michel Temer aos deputados da Comissão de Constituição e Justiça, na quarta (5), Antônio Claudio Mariz de Oliveira, advogado do presidente seguiu para o Salão Verde da Câmara para conceder entrevista coletiva aos jornalistas.

Escoltado por policiais legislativos e por parlamentares da tropa de choque de Temer, Mariz foi surpreendido por um abraço caloroso de Andrés Sanchez (PT-SP).

Logo após o susto, Carlos Marun (PMDB-MS) interveio:

 Quer dizer que acabamos de virar um voto?

Mariz respondeu aos risos:

 Esse voto aqui sempre foi nosso!

 


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