Folha de S. Paulo


Roda de samba criada no meio da rua vira evento em Ermelino Matarazzo

Agência Mural

“Quem gosta de partido alto, venha conhecer o Samba no Asfalto”. Com este canto, os integrantes de um grupo de Ermelino Mattarazzo, na zona leste, chama os moradores para o evento na praça Benedicto Ramos Rodrigues, todo terceiro domingo do mês.

Hoje com dez integrantes, o Samba no Asfalto realiza rodas de samba e é reconhecida pelos frequentadores como um ponto cultural no bairro.

Segundo os participantes, o grupo foi criado há dez anos como resposta a falta de uma Casa de Cultura e as poucas opções de lazer no bairro. Desde a criação, a situação não mudou e a região ocupa uma das piores posições no Mapa da Desigualdade 2016, da Rede Nossa São Paulo, com a nota 0 no quesito Centros Culturais, Casas e Espaços de Cultura.

A iniciativa surgiu após um convite feito por Afrânio Juventino, 51, mais conhecido como Jhaba, para conhecer uma roda de samba em um bairro vizinho. Foi lá, entre rimas e melodias, que os demais componentes Lucimauro Silva e Diego Oliveira decidiram criar algo parecido.

“Saímos de lá certos de que seria possível fazer na nossa região também. Fomos chamando amigos para participar da iniciativa e pouco a pouco fomos nos fortalecendo”, conta Jhaba.

No repertório, além das músicas autorais que retratam o cotidiano no bairro, há composições que vão do Fundo de Quintal a Zeca Pagodinho, Almir Guinetto, Beth Carvalho, entre outros. Há também espaço para o samba-rock de Seu Jorge e Ben Jor. Em 2013, eles gravaram o clipe oficial.

Para Oliveira, ajustar a vida profissional com o projeto nos fins de semana é um dos desafios de realizar a ação no bairro. “A princípio faríamos quinzenalmente, mas percebemos que não conseguiríamos conciliar”, contou. Ele é motorista, quando não está na percussão.

Em 2009 e 2010, o Samba no Asfalto teve a oportunidade de ampliar as suas atividades, indo além dos eventos culturais, com oficinas gratuitas de percussão, dança artes. cênicas e samba-rock, com o auxílio do Programa VAI, da secretaria municipal de Cultura de São Paulo.

Com a verba, ainda conseguiram gravar um projeto fonográfico que tem algumas cópias disponíveis no acervo do programa VAI e no site.

Um dos objetivos do grupo é a conclusão da gravação do primeiro CD.  “Desta vez de uma maneira mais profissional para venda”, afirma Lucimauro Silva.

Grupo se apresenta aos domingos (Foto: Divulgação)

Hoje, mesmo sem recursos, apenas as aulas de samba-rock são oferecidas a comunidade, por meio de uma parceria firmada com a Paróquia São Francisco de Assis. Toda a segunda-feira, cerca de 40 alunos tem um encontro marcado no salão da igreja que fica na região de Ermelino Matarazzo.

“É satisfatório ver a população se divertindo e aprendendo com as aulas”, diz Mariucha de Souza, responsável pelas aulas e integrante do projeto. “A nossa principal dificuldade no momento tem sido a falta de espaço para comportar a todos”, completa.

Quanto ao show na praça, embora a infraestrutura local não conte com equipamentos como banheiros químicos, bancos e lixeiras, há um palco instalado pelos próprios integrantes, além de sacos de lixo e cadeiras levadas por alguns moradores. Apesar dos improvisos, os organizadores estimam a frequência entre 100 a 150 pessoas durante os eventos.

A prefeitura regional de Ermelino Matarazzo afirmou ter um projeto para a implementação de concha acústica, banheiro, calçamento ecológico, bancos e mesas para a melhor comodidade dos moradores.

Danielle Lobato é correspondente do Itaim Paulista

daniellelobato.mural@gmail.com


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