Folha de S. Paulo


Grupo Parlapatões planeja montagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade

Além da remontagem que o Teatro Oficina fará de seu célebre O Rei da Vela (1967), outra companhia irá se debruçar sobre a peça de Oswald de Andrade: os Parlapatões preparam sua versão para o início do ano que vem.

Segundo o diretor Hugo Possolo, um dos motivos de encenar a peça hoje é a atual crise econômica o texto foi escrito em 1933, no embalo da crise de 1929, e ridiculariza a burguesia rural.

Possolo, que fez adaptações no original, fundindo os dois primeiro atos em quadros, tem uma relação afetiva com a obra. Foi o primeiro texto de teatro que li, aos 12 anos.

O encenador já fez uma homenagem a Renato Borghi, intérprete de Abelardo, protagonista de O Rei da Vela, em sua peça A Meia Hora de Abelardo (2002).

O ator Renato Borghi em cena da peça O Rei da Vela, montagem do Teatro Oficina

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Flor da idade Por falar em Borghi, ele tem outros projetos além da remontagem do Oficina. O ator, 80, prepara um trabalho ao lado da atriz Miriam Mehler, 81: protagonizarão uma versão de Romeu e Julieta, de Shakespeare, aos 80.

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Arte

 

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Paratodos O 3º Plural ? Festival de Cultura da Diversidade, em Araçatuba (SP), terá na programação O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, com Renata Carvalho, e Dizer e Não Pedir Segredo, dirigido por Luiz Fernando Marques. Será de 15 a 20/8.

Rua O diretor Pedro Granato fará uma versão a céu aberto de O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues. Estreia em 12/8 na praça Roosevelt.

Salvo Nós, os Outros Ilesos, do japonês Toshiki Okada, ganhará montagem em 16/8 na Oswald de Andrade. Dirigida por Carolina Mendonça, terá no elenco Fernanda Raquel, Lucia Bronstein, Rodrigo Andreolli e Rodrigo Bolzan.

A Tua Voz Depois do Rio, Agnaldo Rayol ? A Alma do Brasil, dirigido por Roberto Bomtempo, estreia em 4/8 no teatro Arthur Azevedo, em SP.

Não é água Nas sessões de 23/7, 6/8 e 20/8 de Fome.doc, a Kiwi Cia. dará ao público doses da cachaça A Socialista.

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Pequeno ato

 

EIREN – Agora podemos esquecê-los.
TAVIO – Não entendo&
EIREN – (ri) Está na hora de começar a agir como um homem: manter a estrutura, defender seu lugar no sistema, fazer seu papel. É tudo muito maior do que nós& Somos todos inocentes, ninguém é culpado, estamos apenas cumprindo ordens. E seu lugar é aqui, junto de Esvald. Já passaram por tanta coisa juntos, estão ligados um ao outro. (sussurrando) Eu sei tudo.
TAVIO – Não, não sabe&
EIREN – Se refere à casa? A todos estes anos, um século de assassinatos, os prisioneiros, o governo, o toca-discos? “Alto! Mais alto!” Você não tem do que se envergonhar: nenhum homem vivo está livre do pecado. (ri) É inevitável, como os impostos e a morte!.

Trecho de “Kiev”, adaptação do diretor Roberto Alvim para o texto de Sergio Blanco (que se inspirou em “O Jardim das Cerejeiras”, de Tchékhov); estreia no dia 4 de agosto no Sesc Ipiranga.

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