Folha de S. Paulo


Escombros, grupo Sobrevento comemora 30 anos

Arranjos orquestrados onde ontem, era um jardim.

Pés de amora e roseiras plantadas pelo avô.

Damas da noite entre fios emaranhados.

Cheiros de nada:

 Acho até bom não sentir mais.

Imaginação, brincadeiras e sons distorcidos.

Viva o Arrigo Barnabé.

Tempos, datas e casas desfeitas.

Discos, documentos e propostas.

Recusas, fotografias e maços de cigarro.

Tapetes, memórias e móveis de pernas pro ar.

Tudo revirado:

 Não tem pé, nem cabeça.

Tic e tac dos relógios:

 Eu não reparo mais.

As coisas mudaram, se perderam:

 Se minha avó fosse viva, a casa não estaria assim.

Chaves, cansaços e cabelos desgranhados.

Desmoronamentos e afetos perdidos.

Portas cerradas:

 Me deixe entrar, eu preciso entrar.

Súplicas transformadas em poeira.

Móveis empilhados. Terra arrasada.

Ruínas e lembranças.

Silêncios.

Espaço Sobrevento  SP

Sextas, Sábados, Domingos e Segundas 20h

Criação: Grupo Sobrevento

Direção: Sandra Vargas e Luiz André Cherubini

Dramaturgia: Sandra Vargas

Atores: Sandra Vargas, Luiz André Cherubini, Maurício Santana, Sueli Andrade, Liana Yuri e Daniel Viana

Cenografia: Luiz André Cherubini e Dalmir Rogério

Adereços: Sueli Andrade e Liana Yuri

Iluminação: Renato Machado

Figurinos: João Pimenta

Música original: Arrigo Barnabé

Canção final composta por Geraldo Roca e interpretada por Márcio de Camillo


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