A semente de milho com tecnologia Bt não cumpriu o prometido e os produtores que a utilizaram perderam dinheiro nesta safra.
Além de não ter a proteção prometida contra lagartas, o produtor teve uma elevação de custos com a imprevista compra de inseticidas.
A avaliação é de Ricardo Tomczyk, presidente da Aprosoja-MT (Associação de Produtores de Soja e de Milho de Mato Grosso).
O Bt (Bacillus thuringiensis) é uma bactéria que produz uma proteína que destrói o sistema digestivo de algumas lagartas que afetam o desenvolvimento do milho.
Diante da perda de eficiência da semente, a associação notificou extrajudicialmente a Monsanto, a DuPont, a Dow e a Syngenta para uma solução às perdas dos produtores.
"Se essa notificação não resolver, vamos tomar medidas mais drásticas", diz Tomczyk. Segundo ele, o produtor pagou muito pela semente, que não teve eficácia. Além disso, a lagarta prejudicou as lavouras e provocou uma queda de produtividade do cereal no Estado de Mato Grosso.
O produtor foi pego de surpresa e teve de fazer compras não programadas de inseticidas, afirma. Ele teve de fazer de duas a três pulverizações para combater a lagarta.
Em muitos casos, o produtor teve dificuldades para adquirir o inseticida. Quando conseguiu o produto, já tinha perdido o momento ideal para a aplicação, diz Tomczyk.
Não há ainda números fechados sobre o prejuízo. Os produtores foram aconselhados, no entanto, a guardar as notas dos gastos extras para apresentar às empresas.
Dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) apontam que o custo não programado chegou a R$ 120,00 por hectare.
Para o presidente da Aprosoja, os produtores foram vítimas de "uma propaganda enganosa". "As empresas já sabiam que a tecnologia não estava funcionando, devido a problemas na safra anterior, mas, mesmo assim, continuaram vendendo o produto."
Consultada, a Monsanto diz que não recebeu a notificação e que se manifestará quando puder analisá-la.
A Dow AgroSciences diz que está analisando o documento e se posicionará dentro do prazo legal. A empresa afirma, no entanto, que orienta os produtores rurais quanto à necessidade de adoção de um sistema de manejo integrado de pragas.
Esse manejo inclui, entre outras ações, o cultivo das áreas de refúgio, essencial para manter o equilíbrio das populações de pragas-alvo.
A DuPont Pioneer informou que até esta segunda-feira (28) não havia recebido a notificação oficial da Aprosoja e que vai aguardar o documento para se manifestar.
Para a Syngenta, "a biotecnologia tem sido um recurso eficiente para a produção agrícola". Mas, não há apenas uma solução definitiva no controle de lagartas. É importante que sejam adotadas estratégias abrangentes, tais como área de refúgio, rotação de culturas e tecnologias de proteção de cultivo, segundo informou a empresa em comunicado.
*
Soja nos EUA O percentual de lavouras de soja consideradas boa e excelente nos EUA caiu para 71% nesta semana, abaixo dos 73% da anterior. Mesmo com a queda, é o maior percentual em 20 anos.
Milho Também houve recuo nas condições boa e excelente nas lavouras do cereal no Meio-Oeste norte-americano. De 76%, o percentual caiu para 75% -o melhor em dez anos.
De olho A queda neste período do ano é normal porque a temperatura aumenta e as chuvas diminuem, diz Daniele Siqueira, da AgRural. O problema é se a redução de chuva for seguida por temperaturas muito elevadas, diz ela.
*
Trigo
Preço do cereal recua 19% em relação a 2013
A saca de trigo se mantém em R$ 37,5, em média, no país. Esse valor de negociação registra queda de 19% em relação aos preços de há um ano, quando a oferta de produto era bem menor. Em Chicago, o primeiro contrato voltou a cair, fechando a US$ 5,35 por bushel (27,2 quilos).