Folha de S. Paulo


Android permitirá uso de dois aplicativos ao mesmo tempo

Stephen Lam/Reuters
CEO do Google, Sundar Pichai, durante o evento Google I/O 2016
CEO do Google, Sundar Pichai, durante o evento Google I/O 2016

O Google apresentou nesta quarta-feira (18) as principais mudanças da próxima versão do Android, seu sistema operacional para celulares e tablets. Elas incluem o uso simultâneo de dois aplicativos por meio de janelas e notificações mais flexíveis, que permitem ações rápidas, como novas formas de responder a mensagens sem abrir os apps.

O novo painel de notificações, além de poder responder diretamente a uma mensagem sem ter de abrir o aplicativo original (deslizando a notificação para expandi-la e expor uma caixa de texto), outras ações são possíveis, como arquivar uma conversa de e-mail.

Na versão atual do Android, a Marshmallow, também há "respostas rápidas", mas que suscitam uma caixa do tipo "pop-up" sobre os demais aplicativos.

A atualização estará disponível em versão de teste para certos dispositivos da linha Nexus imediatamente, e deve chegar ao público em geral no segundo semestre.

O sistema, de codinome Android N, ainda não ganhou um nome "palatável" —como é de costume, a empresa o cunhará com alguma sobremesa, mas diz ainda não ter se decidido para a versão N. Sugestões podem ser enviadas pelo site do Adroid.

A companhia também mostrou novos emojis (as carinhas, ou smileys) que serão embutidos no sistema e que incluirão personagens femininas exercendo profissões das áreas conhecidas como STEM (sigla para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e outras.

Atualizações se tornarão mais rápidas e invisíveis para o usuário, sendo realizadas pelo sistema no plano de fundo, e mais rápidas, segundo a empresa.

O Google afirma que o novo Android também ficou mais seguro, graças à criptografia em arquivo e a desenvolvimento realizado em conjunto com empresas donas de apps com informações consideradas cruciais, como as bancárias.

Os anúncios foram feitos durante o primeiro dia da conferência para programadores Google I/O, realizada neste ano nas cercanias do "Googleplex", como a empresa intitula sua sede, no Vale do Silício, entre quarta (18) e sexta (20).

Uma área crítica, a de gerenciamento de bateria, também será contemplada, mas ganhou pouca atenção durante a apresentação, realizada durante o Google I/O, conferência para programadores da empresa, realizada neste ano até a sexta (20) nas proximidades da sua sede, no Vale do Silício.

DAYDREAM

A companhia também anunciou uma nova iniciativa para realidade virtual voltada para celulares com o sistema Android. Intitulada Daydream ("sonho acordado"), a tecnologia é semelhante à ideia da plataforma Samsung Gear VR (que usa tecnologia do Facebook) e usa o smartphone para criar a ilusão de imagens tridimensionais.

O Daydream será parte da próxima versão do sistema Android. Além de conteúdo criado a fim de ser divulgado em três dimensões "imersivas", o próprio sistema poderá ser visualizado em um ambiente virtual nos smartphones compatíveis.

YouTube, Street View e Google Photos são alguns dos apps que serão compatíveis com a plataforma.

É uma espécie de sucessor do Cardboard, plataforma de realidade virtual feita pelo Google também para celulares com Android e que usava um suporte de papelão para a tarefa.

O Google não deve produzir um suporte para o Daydream, mas afirmou que detalhou as diretrizes de design necessárias para parceiras que desejem criar esse tipo de aparelho. Possíveis fabricantes de dispositivos feitos para o Daydream são HTC, Samsung e Huawei.

Outros parceiros da iniciativa são o jornal "The New York Times", as redes de TV a cabo americanas CNN e HBO, a empresa de cinema Imax e os estúdios de videogame Electronic Arts e Ubisoft.

Preços não foram divulgados. O Samsung Gear VR, compatível só com aparelhos Galaxy das duas mais recentes gerações, é vendido por R$ 799 no Brasil.

Além de Samsung e Facebook (proprietário da empresa Oculus, que faz o Rift), companhias que estão na "linha de frente" da realidade virtual são a HTC (com os óculos Vive) e a Microsoft (HoloLens).


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