Folha de S. Paulo


análise

Tempo é curto para o governo dar vigor a nome próprio em 2018

Marlene Bergamo/Folhapress
O presidente Michel Temer em entrega de unidades habitacionais em Limeira

Quem está nas ruas em campanha lidera as intenções de voto do Datafolha, o governo de Michel Temer não tem um candidato em potencial e o PSDB tende a se consolidar como principal opção de centro-direita para 2018.

A nova pesquisa serve de alerta para políticos dispostos a concorrer ao Palácio do Planalto: posicionem-se o quanto antes, porque dois adversários de peso estão por aí pedindo voto e largando na frente a menos de um ano da disputa.

Os cenários com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) na dianteira retratam os últimos meses de 2017.

Ambos são dois pré-candidatos declarados. Viajam pelo Brasil como tais. Assim são identificados por parte do eleitorado, que se desloca para os extremos.

A pesquisa sinaliza espaço para um nome de centro-direita e um de centro-esquerda capazes de bagunçar essa polarização.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) indica ter mais musculatura para ser o titular do primeiro perfil.

Obtendo entre 6% e 9% na corrida contra Lula e Bolsonaro, o tucano apresenta desempenho levemente superior ao do prefeito de São Paulo, João Doria, que perdeu fôlego dentro do partido.

O PSDB acaba de selar acordo para Alckmin presidi-lo. Ele será aclamado em convenção no dia 9 de dezembro. A partir de então, caberá a Alckmin, em meio a um PSDB em processo de pacificação, se consolidar para incomodar Lula e Bolsonaro.

O tucano começa 2018 com o desafio de ser distinguido nas ruas como postulante ao Planalto.

A boa notícia para ele é que outros dois nomes vistos como possíveis candidatos do governo federal estão empacados.

Nas últimas semanas, aliados de Temer circularam a versão de que ele poderia tentar a reeleição.

O presidente aparece com mísero 1% no Datafolha. Sua rejeição é de 71%. Segundo o levantamento, 87% não votariam em quem quer que fosse apoiado por ele.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do PSD, não passa de 2%. Sua maior aposta eleitoral, a evolução gradual da economia, por ora é imperceptível para a população.

Para 60% dela, a inflação vai aumentar. A expectativa do desemprego está em queda, mas ainda metade dos brasileiros vislumbra seu aumento e não há oscilação considerável na crença de melhora econômica.

O tempo é curto para o governo dar vigor político a um candidato próprio.

A falta dele, por exemplo, a partir de abril, prazo final para Meirelles definir se vai para a disputa, pode abrir espaço para uma negociação de Alckmin com setores do PMDB e de partidos que hoje apoiam a gestão de Temer.

O que os une é o desejo de alguém competitivo para enfrentar Lula e Bolsonaro.

Por fim, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) permanecem como opção de centro-esquerda.

Perdem espaço com Lula na briga, no entanto crescem e dividem votos em sua eventual ausência.

O PT continua em uma enrascada na hipótese de o ex-presidente ficar de fora em razão de uma possível condenação em segunda instância pela Justiça.

Apontado como provável nome para substitui-lo, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad não passa de 3% na pesquisa.


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