Folha de S. Paulo


Defesa quer adiamento do depoimento de José Dirceu

A defesa do ex-ministro José Dirceu pediu ao juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, que ele seja dispensado de depor na sexta-feira (29).

O motivo para a solicitação seria a negociação de um acordo de delação premiada entre o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, apontado nas investigações como nomeação do petista para o cargo, e a força-tarefa do Ministério Público Federal.

Segundo petição protocolada na quarta (28), os defensores de Dirceu afirmam que Duque se manteve calado diante do juiz Moro no último depoimento que foi convocado a prestar porque estaria em tratativas de um acordo de delação. A peça diz que foi essa a alegação do advogado dele para que o ex-executivo permanecesse em silêncio.

"Caso o acordo entre Renato Duque e o Ministério Público Federal seja efetivamente firmado, e de alguma forma trate de fatos que são objetos desta ação penal, haverá nítida causa de inversão processual", destaca a defesa de Dirceu, afirmando que pode haver nulidade do processo. Os advogados dizem que as declarações dos réus precisam acontecer antes dos interrogatórios dos acusados, para que os mesmos possam se defender.

Na petição, eles pedem Moro esclareça se há de fato a negociação e pede que Dirceu fale somente após o fim das tratativas entre Duque e o MPF.

O depoimento do petista previsto para esta semana encerra os interrogatórios que integram a ação penal relacionada à Operação Pixuleco 2, deflagrada em agosto de 2015 e que culminou na prisão de Dirceu.

Antes do pedido, os advogados alegaram que o ex-ministro pretendia falar perante o juiz e se defender das acusações que caem sobre ele.


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