Folha de S. Paulo


Protesto anti-Dilma reúne 1.500 pessoas em São Paulo, diz PM

Marlene Bergamo/Folhapress
Sao Paulo,SP,Brasil 19.10.2015 Manifestacao do Vem Pra Rua em apoio ao Impeachment da presidente Dilma no Largo da Batata em Pinhieros. Foto:Marlene Bergamo/Folhapress Cod.0717
Movimentos anti-Dilma protestam na zona oeste de São Paulo

Cerca de 1.500 pessoas se reuniram nesta segunda-feira (19) para pedir o fim do governo Dilma Rousseff, em São Paulo (SP), segundo estimativa divulgada pela Polícia Militar.

O protesto, convocado pelo movimento Vem Pra Rua no Facebook, interrompeu o trânsito da avenida Nove de Julho, na altura da praça Coração de Maria, antes de se dispersar às 20h50. De acordo com a organização, 2 mil pessoas compareceram.

Mais de 7 mil pessoas haviam confirmado presença na rede social. Inicialmente, houve concentração no Largo da Batata, que contou com 200 pessoas às 18h. O protesto seguiu pela avenida Faria Lima antes de chegar ao destino final.

Para Rogério Chequer, principal organizador da manifestação, o movimento não perdeu fôlego nem foi ofuscado pelas novas denúncias de corrupção contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a quem caberia colocar um pedido de impeachment em votação.

A redução do número de pessoas, em comparação com grandes manifestações realizadas em finais de semana, tem relação, segundo Chequer, com a mudança de formato dos atos, agora também convocados em dias de semana, no final do expediente.

"Esse formato só tende a crescer", disse Chequer. De acordo com o organizador do protesto, haverá outra manifestação na quinta-feira, se Cunha não colocar em votação o pedido de impedimento elaborado pelos advogados Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale Júnior.

"Não há motivo, a não ser político ou de interesse pessoal, para ele [Cunha] não encaminhar esse pedido.

Carla Zambelli, líder do movimento Nas Ruas, que também participa do ato, afirma que o foco não está no Eduardo Cunha, mas na figura do presidente da Câmara dos Deputados, seja ele quem for. Acrescentou, porém, que Cunha é "um dos poucos que têm coragem" para colocar o pedido em votação.

Perguntada se o atual presidente da Câmara tem envergadura para tocar o processo, Zambelli afirmou que o pedido não é de Cunha, mas dos advogados Bicudo, Paschoal e Reale Jr, e que tem apoio dos movimentos sociais.

Paula Reverbel/Folhapress
O vereador Gilberto Natalini (PV) levou megafone comprado em 1983 para a campanha das Diretas Já
O vereador Gilberto Natalini (PV) levou megafone comprado em 1983 para a campanha das Diretas Já

O vereador paulistano Gilberto Natalini (PV) participa do ato e diz ter vindo para emprestar seu megafone à organização. Segundo o ele, o aparelho foi comprado em 1983 para a campanha das Diretas Já.

"Depois foi usado no impeachment do Fernando Collor e, agora, da Dilma", disse.

Sobre a eventual abertura de um processo de impeachment e sobre as denúncias de corrupção que pesam contra Cunha, Natalini diz que o processo deve ser encaminhado por " algum deputado probo".

"Que saia o Eduardo Cunha e algum deputado probo assuma no lugar dele e encaminhe o impeachment", defendeu.

ALEXANDRE FROTA

O ator Alexandre Frota participou do protesto. "Vou acompanhar até onde o meu joelho de 52 anos aguentar", havia prometido ainda na concentração, no Largo da Batata. Ele foi até o final do ato.

"Estou representando a classe [dos artistas] que não compactua com esse governo petista, com Lei Rouanet. A Lei Rouanet é só para alguns artistas", afirmou à Folha. "Estou vendo vários artistas contra o impeachment, compactuando com esse governo". Durante seu discurso, citou o apresentador de TV Jô Soares entre as celebridades que apoiam Dilma.

À reportagem, Frota afirmou ter votado no senador Aécio Neves (PSDB) para a presidência. No entanto, o ator diz acreditar hoje que a melhor pessoa para conduzir o Brasil é o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ).

MEDIDAS ANTICORRUPÇÃO

Ao lado da concentração no Largo da Batata, voluntários de uma iniciativa do Ministério Público Federal colhem assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular para combater a corrupção.

A iniciativa, chamada de 10 Medidas Contra a Corrupção, é patrocinada pelo procura Corrupção dor Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Operação Lava Jato.

De acordo com a voluntária Rosângela Lyra, a ação é independente do protesto e visou aproveitar a concentração de pessoas.


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