Folha de S. Paulo


Renan diz que não foi avisado por ninguém sobre estar na lista de Janot

Alan Marques - 3.mar.15/Folhapress
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que devolveu ao governo medida provisória da desoneração da folha
Renan Calheiros (PMDB-AL), que devolveu ao governo medida provisória da desoneração da folha

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta quarta-feira (4) que não foi comunicado por nenhuma autoridade sobre estar no rol de 28 pedidos entregues pela Procuradoria-Geral da República ao STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar 54 pessoas envolvidas na operação Lava-Jato.

"Não fui comunicado por ninguém e acredito que o Eduardo [Cunha, presidente da Câmara dos Deputados] também não, nem pelo Planalto", afirmou Renan ao chegar ao Senado. Ele prometeu que irá falar novamente sobre o assunto ainda nesta quarta.

Durante a tarde, Renan voltou a dizer que não sabe de "absolutamente nada".

"Queria dizer, que feliz da democracia que permite o questionamento de seus homens públicos. Questionar homens públicos é uma coisa democrática. O que não pode acontecer é o homem público deixar de ter a resposta convincente de modo que, desde logo é importante dizer que eu não tenho absolutamente nada com isso", disse.

O peemedebista afirmou que irá aguardar que seja questionado judicialmente para dar respostas.

Citados na Operação Lava Jato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e Renan devem ter contra si pedido de inquérito pelo Ministério Público. A informação de que teriam sido avisados foi confirmada à Folha por interlocutores do Planalto. Renan nega qualquer envolvimento com o esquema de desvio de recursos da estatal.

Aliados do peemedebista acreditam que o governo exerceu influência sobre Janot com o objetivo de enfraquecer o PMDB, partido que comanda as duas casas do Congresso e é o principal aliado do PT.

Antes mesmo de a PGR ter enviado a lista de inquéritos para o STF, Renan reagiu atacando o governo e barrando uma das principais medidas do ajuste fiscal proposto pela presidente Dilma Rousseff.

O peemedebista determinou a devolução de uma medida provisória que aumentava tributos pagos por empresas de vários setores,apresentada pelo governo ao Congresso no fim da semana passada.

Horas depois, Renan criou outro problema para o governo ao adiar para a semana que vem uma sessão conjunta do Congresso convocada para avaliar vetos da presidente e depois apreciar o Orçamento da União para 2015.

A retaliação amplia as dificuldades que a presidente tem encontrado para obter apoio no Congresso para as medidas de ajuste, que a sua equipe econômica considera essenciais para equilibrar as finanças do governo e recuperar a capacidade do país de crescer.

Os nomes dos políticos surgiram em depoimentos prestados à Justiça por Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que firmaram acordos de delação premiada com a Justiça.

A partir do pedido de abertura de inquérito, caberá ao relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, aceitar ou não o início das investigações sobre Cunha e os demais suspeitos que se encaixam nesta situação. É praxe na corte, no entanto, acatar este tipo de demanda.

A aceitação do inquérito não significa culpa. Somente após as investigações e o processo no STF, os acusados serão inocentados ou condenados por eventuais crimes.

ACUSAÇÃO

A contadora de Alberto Youssef, Meire Poza, afirmou, no ano passado, em depoimento à CPI mista da Petrobras, que o doleiro negociou com Renan Calheiros uma operação financeira de R$ 25 milhões envolvendo o fundo de pensão dos Correios, o Postalis, ligado ao PMDB, para financiar um negócio do doleiro.

A contadora afirmou ainda que a negociação nunca se concretizou porque o doleiro foi preso dias depois do encontro com o presidente do Senado.

Em nota, Calheiros informou "que nunca esteve, agendou conversas e nunca ouviu falar de Alberto Youssef e de sua contadora".


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