Folha de S. Paulo


Delator confirma que fez doações ao PT para ganhar contratos na Petrobras

O empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, sócio da Setal Construções e da PEM Engenharia, confirmou na segunda-feira (2) em depoimento à Justiça Federal no Paraná que fez doações oficiais ao PT a pedido do ex-diretor de Serviços e Engenharia Renato Duque, como pagamento de propina para ganhar contratos.

"Uma época, o diretor Duque pediu para que fizesse contribuições oficiais ao PT e eu as fiz (...). Era decorrente da comissão que eu havia combinado com ele", afirmou Mendonça Neto, sem dar mais detalhes sobre os pagamentos.

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A declaração de Mendonça Neto foi dada em depoimento na ação penal contra executivos das empresas Camargo Corrêa e UTC e confirmou afirmações que ele já havia feito em sua delação premiada, firmada na investigação da Operação Lava Jato.

Na delação, ele estimou em "aproximadamente R$ 4 milhões" o total pago em doações ao PT entre os anos de 2008 e 2011 por orientação pessoal de Duque. Disse também que as doações foram por meio das empresas Setec Tecnologia, PEM Engenharia e a SOG Óleo e Gás.

No depoimento, ele também afirmou ter pago propina a Duque e ao ex-diretor Paulo Roberto Costa. "Eles me pediram, no caso do Paulo Roberto, 1%, e no caso do Renato Duque, 2%. Sobre o valor do contrato", segundo Mendonça Neto.

Indagado pelo Ministério Público Federal se pagou as comissões, Mendonça Neto confirmou o que havia narrado em depoimento prestado dentro do acordo de delação premiada fechada no ano passado com a força-tarefa da Lava Jato. Ele disse que teve "dois contratos obtidos" com o pagamento de "comissões".

Procurada, a assessoria de imprensa do PT sustenta que todas as doações feitas ao partido são na forma da lei. Segundo a assessoria, em outra ocasião, o executivo disse que não informou ao partido que a doação teria relação com supostos negócios de sua empresa com a Petrobras.


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