Folha de S. Paulo


Site de apoio a Dilma descumpre decisão e exibe críticas a Marina

Além de não ter cumprido a decisão provisória que determinou sua retirada do ar, o site "Muda Mais", ligado ao ex-ministro das Comunicações Franklin Martins e à campanha à reeleição de Dilma Rousseff (PT), ainda exibe críticas a Marina Silva (PSB), principal adversária da presidente na campanha presidencial.

Logo que o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Herman Benjamin determinou que o site fosse retirado do ar, todas as páginas hospedadas sob o registro foram redirecionadas para um texto intitulado "Marina foge do debate e quer calar o 'Muda Mais'", em que a presidenciável do PSB era chamada de censora. Depois, a redação foi alterada para uma versão mais branda, em que o termo "censura" não é usado.

Em sua decisão, publicada na terça-feira (16), Benjamin decide que os donos da página "retirem do ar o sítio eletrônico".

"Marina precisa entender que na democracia ninguém fala sozinho. Tentar calar o 'Muda Mais' é tentar calar o debate político", diz o novo texto, que continuava no ar na tarde desta quinta (18).

Para os advogados de Marina, os petistas descumpriram a decisão judicial ao redirecionar as páginas originais para um texto com críticas à adversária –em vez de retirá-lo do ar completamente. Eles entraram com nova petição, requisitando ao TSE multa diária de R$ 100 mil aos responsáveis pela página.

Reprodução
Mensagem publicada no site
Mensagem no 'Muda Mais', ligado à campanha de Dilma, após liminar que determinou retirada do ar

A legislação na qual o ministro Benjamin se baseou para acatar o pedido inicial dos pessebistas proíbe que pessoas jurídicas veiculem propaganda eleitoral, mesmo que gratuita, em suas páginas. O site está em nome da empresa Polis Propaganda e Marketing, a mesma que detém o registro do site oficial de campanha de Dilma. Por isso, Benjamin determinou a retirada do site do ar, que deveria ter sua visitação suspensa tão logo os responsáveis pela página fossem intimados pela Justiça.

O magistrado também definiu que, em caso de descumprimento, deveria ser paga uma multa diária cujo valor não foi divulgado.

REDES SOCIAIS

Todo o conteúdo que normalmente seria publicado no site, após a decisão judicial, foi transferido para o Twitter e para o Facebook do "Muda Mais". Nas páginas, os militantes referem-se à adversária pessebista como "Marina Censura".

Na tarde de quarta-feira (17), os perfis do "Muda Mais" também instigaram militantes petistas a enviar perguntas para Marina na página oficial da candidata no Facebook –naquele momento, ela participava de uma conversa ao vivo com usuários da rede.

As postagens também procuram ligar a ideia de "censura" a de "nova política". "Alguém pode nos responder se censura faz parte da nova política??? Estamos confusos. Seguimos sendo censurados por Marina!", diz um dos posts no Twitter.


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