Folha de S. Paulo


Vítima da Casa da Morte identifica seis militares como torturadores

Daniel Marenco/Folhapress
A ex-presa política Inês Etienne Romeu antes de depor na Comissão da Verdade, no Arquivo Nacional, no Rio
A ex-presa política Inês Etienne Romeu antes de depor na Comissão da Verdade, no Rio

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, a ex-presa política Inês Etienne Romeu, sobrevivente da chamada Casa da Morte, apontou seis agentes da ditadura militar como torturadores.

Ela reconheceu imagens dos seis homens e os identificou como integrantes do centro clandestino de tortura, mantido pelo Exército em Petrópolis (RJ) a partir de 1971.

Os agentes, reconhecidos no último dia 15, são Freddie Perdigão Pereira, Rubens Paim Sampaio, Ubirajara Ribeiro de Souza, Rubens Gomes Carneiro, Luiz Claudio de Azeredo Vianna e Antonio Fernando Hughes de Carvalho.

Até a apresentação das fotos, Inês havia identificado, por meio de imagens, apenas dois agentes da casa da Morte: Amílcar Lobo e Ubirajara Ribeiro de Souza. Em um depoimento histórico em 1979, ela descreveu e apresentou os codinomes de 20 agentes que atuaram em Petrópolis.

De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, que apresenta relatório sobre o caso nesta terça-feira (25) na sede do Arquivo Nacional, no Rio, os sobreviventes do grupo serão convocados a depor.

"A Casa da Morte elevou os desaparecimentos a uma política de Estado, operada pelo Exército", disse o coordenador da comissão, Pedro Dallari. "Foi uma estrutura de Estado concebida para a grave violação de direitos humanos."

Ao menos seis desaparecidos políticos teriam sido assassinados na Casa da Morte, segundo a comissão: Carlos Alberto Soares de Freitas, Mariano Joaquim da Silva, Aluizio Palhano Pedreira, Heleny Telles Ferreira Guariba, Walter Ribeiro Novais e Paulo de Tarso Celestino da Silva.


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