Folha de S. Paulo


Carcereiros são o mais importante na Venezuela, diz Aloysio Nunes

O novo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), criticou a Venezuela ao tomar posse nesta terça-feira (7). Ele também respondeu às declarações da chanceler do país vizinho feitas um dia antes.

Na segunda (6), Delcy Rodríguez afirmou que o Brasil era "uma vergonha mundial" desde o impeachment de Dilma Rousseff e que todos os políticos estão envolvidos em algum escândalo "desde que deram esse golpe de Estado".

Beto Barata/Presidência da República
Aloysio Nunes Ferreira assina posse no ministério das Relações Exteriores, ao lado de Michel Temer
Aloysio Nunes Ferreira assina posse no ministério das Relações Exteriores, ao lado de Michel Temer

Em curta resposta após o evento no Palácio do Itamaraty, Nunes disse que o mais importante na Venezuela são os "carcereiros".

"Ela [chanceler] não tem muita importância. Nesse país dela [Venezuela], o mais importante são os carcereiros e não um ministro das Relações Exteriores", respondeu.

Ainda sobre a Venezuela, o novo ministro fez críticas durante o discurso e falou em preocupação com a situação política daquele país.

"Não posso deixar de lembrar a preocupação, cada vez mais presente, com a escalada autoritária do governo venezuelano, que nos últimos anos esteve presente entre os grandes temas em debate", disse Nunes.

"Queremos uma Venezuela próspera e democrática, sem presos políticos e com respeito à independência dos poderes, um país irmão capaz de reencontrar o caminho do progresso para o bem da sua gente".

Rodríguez rebateu as declarações em uma rede social: "O novo chanceler do Brasil começou seu mandato com o pé esquerdo, atacando a Venezuela. Enviarei a ele o ABC da Diplomacia. Ele deveria se espelhar em seu antecessor: que deixou o cargo por acusações de corrupção. Não é a diplomacia de que os povos precisam."

Aloysio Nunes Ferreira foi escolhido por Michel Temer (PMDB) para substituir o também tucano José Serra, que pediu para deixar o cargo no dia 22 de fevereiro, alegando problemas médicos.

Serra é citado por ex-executivos da Odebrecht nas delações premiadas assinadas com o Ministério Público. Aloysio foi citado na delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC.

Em seu discurso de despedida, sem falar dos motivos de seu afastamento, Serra também comentou sobre a situação da Venezuela.

"Tomamos a difícil, mas necessária decisão de suspender a Venezuela dos trabalhos do Mercosul. Estamos ao lado do povo venezuelano, que tem vivido momentos difíceis. Nossa oferta de ajuda humanitária continua de pé", disse.

"Esperamos que a Venezuela retome o caminho da conciliação e da democracia, única forma de superar os graves desafios enfrentados".

IMIGRAÇÃO

Aloysio Nunes também falou sobre a relação com outros países da América do Sul e disse que o Brasil continuará aberto para estrangeiros.

"E mais ainda, porque a nova Lei de Imigração, de minha iniciativa, que revoga dispositivos herdados do período autoritário, coloca o país na vanguarda do direito humanitário", discursou.

Na sexta (3), o Conselho Nacional de Imigração autorizou a residência temporária de dois anos a cidadãos de países limítrofes que estão fora do Acordo de Residência do Mercosul, beneficiando principalmente venezuelanos.

Mais cedo, ao tomar posse no Palácio do Planalto, o novo ministro deu entrevista na qual afirmou que pretende elevar o volume de exportações do Brasil, com uma inserção maior do país nos mercados internacionais.

Segundo ele, é necessário "vender melhor o país" e mostrar que ele é uma "grande potência agrícola, que zela pelo meio ambiente".

"E um país democrático que tem instituições sólidas. Isso, no mundo de hoje, é um fator de atração de investimentos."

Colaborou GUSTAVO URIBE, de Brasília.


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