Folha de S. Paulo


Espanha cancela escala de navios russos no país

A Espanha cancelou nesta quarta-feira (26) a autorização para que uma frota russa fizesse escala no porto de Ceuta. Caso reabastecidos, os navios supostamente seguiriam a caminho da costa síria para atacar Aleppo.

A passagem das embarcações, que nesta manhã estava nas nas imediações do estreito de Gibraltar, causa ansiedade na Europa.

O plano de reabastecimento russo em Ceuta –um território espanhol localizado na costa Marroquina– foi criticado por Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan (aliança militar ocidental) e por parlamentares europeus.

Reuters
Imagem de Aleppo tirada no final de setembro mostra ruínas na área controlado por rebeldes
Imagem de Aleppo tirada no final de setembro mostra ruínas na área controlado por rebeldes

Stoltenberg afirmou na terça-feira (25) que "estamos preocupados, e nós expressamos com bastante clareza o potencial uso [dos navios] para incrementar os ataques contra civis em Aleppo".

A autorização para a escala foi criticada, ademais, porque a Espanha condenou na semana passada os crimes de guerra russos na Síria.

Segundo o jornal "El País", o ministério do Exterior pediu à Rússia esclarecimentos sobre o destino final dos navios, encabeçados pelo único porta-aviões russo, o Almirante Kuznetsov. A Rússia retirou, em seguida, sua petição e teve então a parada formalmente cancelada.

Há oito embarcações na frota, possivelmente escoltadas por submarinos, carregando dezenas de aviões e helicópteros. A frota deve se somar a outras dez embarcações russas na costa síria.

Navios de guerra russos costumam parar no porto de Ceuta, e 60 deles passaram por ali desde 2011, com benefícios à economia local, segundo o jornal "El País". As autorizações são avaliadas de acordo com o caso.
A chancelaria justificou sua revisão pelas informações "que estamos recebendo de nossos aliados e das próprias autoridades russas".

A Otan preocupa-se que os navios participem de uma ofensiva definitiva contra o leste de Aleppo, na Síria, onde rebeldes estão cercados pelo regime do ditador Bashar al-Assad. Sem suprimentos, as condições de vida deterioram rapidamente ali.

Com grande número de vítimas civis, o cerco a essa porção da cidade foi considerado na semana passada pela ONU como um "crime de proporções históricas".

A frota russa está sendo acompanhada pela Otan desde que deixou o oceano Ártico. Os navios já passaram pelo canal da Mancha.

Luke Coffey, ex-assessor do ministro britânico Liam Fox (Comércio Exterior), escreveu ao jornal "Huffington Post" que é "extraordinário qualquer país da Europa, ainda mais um que seja parte da União Europeia e da Otan, pensar que é aceitável dar apoio logístico a forças militares envolvidas no questionável apoio a Assad".


Endereço da página: