Folha de S. Paulo


Escassez afeta 1,6 milhão de sírios, diz ONG Médicos Sem Fronteiras

Apesar da redução da violência na Síria desde que o cessar-fogo foi decretado, em 27 de fevereiro, a situação continua crítica nas áreas sitiadas do país árabe, onde não há acesso a medicamentos, alimentos ou ajuda humanitária.

O alerta é da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que divulgou nesta quinta-feira (7) um relatório advertindo que, nas áreas sob cerco, o acesso de comboios com suprimentos continua significativamente restrito, itens médicos essenciais para o tratamento de feridos estão sendo removidos desses comboios, faltam médicos e há dezenas de casos de desnutrição grave em lugares como Madaya e Madamiyeh.

Louai Beshara/AFP
Comboios de caminhões do Crescente Vermelho chegam com ajuda humanitária a Madaya, na Síria
Comboios de caminhões do Crescente Vermelho chegam com ajuda humanitária a Madaya, na Síria

"Houve uma redução significativa no nível de violência e no número de feridos na Síria, mas ainda há cerca de 1,6 milhão de pessoas em áreas sitiadas onde a situação é muito grave", disse à Folha Sam Taylor, coordenador de comunicação para assuntos da Síria da MSF. "Usar o cerco como arma de guerra viola o direito humanitário e isso precisa acabar já."

Há cerca de 60 áreas "sitiadas" na Síria, mais de 80% cercadas pelas forças do ditador Bashar al-Assad, como é o caso dos subúrbios de Damasco e de Homs. Os entornos de Idlib estão sob cerco de extremistas da oposição a Assad, e a região de Deir Ezzor está sitiada pelo Estado Islâmico e pelo regime.

"Ao longo das últimas duas semanas, nas áreas sitiadas na região de Damasco, um médico foi morto por um franco-atirador, dois dos hospitais que apoiamos foram bombardeados, bairros sitiados continuam sendo alvejados, e a ajuda médica ainda está bloqueada ou restrita", descreveu Bart Janssens, diretor de operações da MSF.

Também segundo a organização, o único médico na cidade sitiada de Zabadani foi morto a tiros depois de prestar socorro a um paciente.

Na terça-feira (5), a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, afirmou que Daraya, subúrbio de Damasco, não recebeu "nem uma migalha de alimento enviado pela ONU desde 2012".

Na semana passada, Stephen O'Brien, subsecretário geral da ONU para assuntos humanitários, disse que o regime sírio não autorizou a entrada de mantimentos e medicamentos em três áreas sitiadas a poucos minutos dos armazéns da ONU na capital.

A ONU, afirmou, recebeu relatos de que pessoas estão comendo grama em Daraya por causa da falta de comida.


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