Folha de S. Paulo


Alemanha prende 18 solicitantes de asilo suspeitos de agredir mulheres

A polícia federal da Alemanha anunciou nesta sexta (8) que identificou 18 solicitantes de asilo no país entre o grupo de 31 presos suspeitos de cometerem crimes durante a festa de Ano-Novo de Colônia, no oeste do país.

Os agentes afirmam que eles fazem parte da quadrilha de criminosos que atacou principalmente mulheres que participavam da festa de réveillon em frente à estação de trem. Algumas das vítimas sofreram abuso sexual e estupro, o que provocou revolta no país.

Oliver Berg/AFP
A artista Milo Moire carrega cartaz em que pede respeito às mulheres em protesto em Colônia
A artista Milo Moire carrega cartaz em que pede respeito às mulheres em protesto em Colônia

Porém, nenhum dos presos desta sexta estaria envolvido em crimes sexuais, de acordo com o porta-voz do Ministério do Interior, Tobias Plate. Os homens são suspeitos de praticar 32 delitos ao todo, como agressão, furto e roubo.

Dentre eles, há nove argelinos, oito marroquinos, cinco iranianos, quatro sírios, dois alemães, um iraquiano, um sérvio e um americano. Plate não divulgou, no entanto, quais deles eram os solicitantes de asilo.

Segundo a polícia de Colônia, foram recebidas 121 denúncias de mulheres que disseram ter sido roubadas, ameaçadas e abusadas sexualmente por quadrilhas de homens em sua maioria com aparência árabe ou do norte da África.

Na quinta, a polícia local prendeu um adolescente de 16 anos e um homem de 23 que tinham vídeos das agressões em seus celulares e uma folha de papel com termos vulgares em árabe traduzidos para o alemão.

Além da comoção pelos crimes, a onda de violência no Ano-Novo em Colônia levou a protestos contra o acolhimento de refugiados na Europa, apoiado pela chanceler Angela Merkel. No ano passado, a Alemanha recebeu 1,1 milhão de pedidos de asilo e refúgio.

Para os refugiados, o temor é que a revolta se volte contra eles. "Nossa primeira reação foi: agora vão nos odiar. O que fizeram foi uma vergonha", afirma o kosovar Asim Vllaznim, 32, que chegou à Alemanha com seus cinco filhos.

A onda de violência levou à destituição do chefe de polícia de Colônia, Wolfgang Albers. Para o ministro do Interior do Estado da Renânia do Norte-Westfália, Ralf Jäger, a medida era necessária para recuperar a confiança da população.

POLÍTICA

Diversos políticos de oposição a Merkel vincularam os crimes à entrada dos estrangeiros. Um de seus aliados, o vice-chanceler, Sigmar Gabriel, defendeu medidas que dificultem o asilo para criminosos.

Ele também deseja que, após condenados, os refugiados possam ser deportados a seus países de origem. "Por que os contribuintes alemães devem pagar por abrigar criminosos estrangeiros?", disse.

"A ameaça de passar o tempo atrás das grades em seu país de origem é uma intimidação muito maior que a sentença de prisão na Alemanha."

Na quinta (7), a chefe de governo disse que as agressões a mulheres foram inaceitáveis e que a política de deportação deve seguir em constante revisão "para dar um sinal a quem não quer obedecer nossa legislação".

"O sensação que as mulheres tiveram neste caso, ou estar à mercê das pessoas sem proteção, é intolerável também para mim. Então, por isso é importante que todos os casos que ocorreram sejam colocados em evidência."

A agência de notícias Reuters disse que, em resposta às reclamações da oposição, Merkel prepara um projeto de lei que proíbe a concessão de asilo a solicitantes que tenham cometido crimes na Alemanha.


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