Folha de S. Paulo


Chanceler brasileiro minimiza posição de Macri sobre Venezuela

O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) minimizou, nesta terça-feira (24), as críticas do novo presidente da Argentina ao governo da Venezuela.

O político de centro-direita Mauricio Macri defendeu o uso da chamada cláusula democrática do Mercosul para expulsar o país do bloco diante de violações de direitos humanos.

"Ele fez declarações muito mais importantes do que essa, da necessidade de integração, de aproximação cada vez mais com o Brasil", afirmou o chanceler após participar de audiência pública no Senado. Questionado se a Venezuela merecia a sanção, disse: "Tem que ser discutido pelos países. Tem que conversar".

O ministro destacou a importância da Argentina para o Mercosul e disse que a presidente Dilma Rousseff irá à posse do novo presidente argentino, em dezembro. Vieira elogiou a trajetória política de Macri e negou que sua eleição possa interferir na união do bloco.

"O bloco está muito bem constituído, muito bem equilibrado. A missão é agora avançar em negociações comerciais. Ele é um homem com uma visão pró-negócio. Acho que vamos avançar muito."

JOBIM

Ao longo de duas horas, Vieira respondeu questões sobre o Tratado Transpacífico, o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia e a missão da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) para observar a eleição parlamentar da Venezuela, no próximo mês.

O ministro negou que o nome do ex-ministro Nelson Jobim para chefiar o grupo tenha sido vetado pelo país vizinho. "Quando fomos chamados, não era convite para indicar o representante político. Era para indicar nomes que passariam por consulta. Não estávamos ainda no ponto —isso posso garantir— de discussão de nomes", argumentou.

A oposição cobrou uma posição mais firme do governo brasileiro diante do cenário de crise política e social na Venezuela. "Esse governo é presidido por uma pessoa que foi vitima da ditadura. E agora, quando o povo venezuelano pede socorro do Brasil, o que se ouve é um ensurdecedor silêncio", disse o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Vieira rebateu as críticas: "A falta de uma atitude não quer dizer que não haja uma diplomacia silenciosa, reservada."

MERCOSUL-UE

Mauro Vieira comentou impactos do Tratado Transpacífico (TTP) para o mercado nacional —o acordo foi fechado no mês passado entre Estados Unidos, Japão e outros dez países. Para ele, o documento não deve ter impacto expressivo na área industrial, mas pode repercutir no setor agrícola.

"Os grandes mercados da TPP aplicam restrições tarifárias significativas e, assim, pode haver prejuízos para o Brasil. Seria necessário o exame muito detido."

Ele ainda defendeu a proposta do Mercosul para o acordo de livre-comércio com a União Europeia. Para ele, a oferta é "atrativa" e, agora, resta analisar o que será oferecido pela outra parte.

"Temos que ver se a oferta da União Europeia é ambiciosa, modesta, retraída. () A União Europeia é muito protecionista e evidentemente não poderia deixar de ser, tem que defender sues interesses", disse.


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