Folha de S. Paulo


Turquia ataca alvos curdos no Iraque e prende mais de mil pessoas

O Exército da Turquia realizou ataques aéreos contra alvos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão, considerado uma organização terrorista pelo governo turco) nesta quarta-feira (29) em territórios do país e no norte do Iraque.

Ao mesmo tempo, autoridades locais realizaram uma operação que prendeu 1.302 pessoas em 39 províncias turcas.

Ian Langsdon - 27.jul.2015/Efe
Curdos protestam diante da embaixada turca em Paris contra ataques aéreos da Turquia
Curdos protestam diante da embaixada turca em Paris contra ataques aéreos da Turquia

O gabinete do primeiro-ministro da Turquia informou que os detidos são suspeitos de ligação com o PKK, com a facção radical Estado Islâmico (EI) e com diversos grupos ilegais de esquerda.

Segundo o governo turco, os ataques aéreos desta quarta-feira atingiram cerca de seis posições do PKK, incluindo alvos na área montanhosa de Qandil, no Iraque.

O porta-voz do PKK, Bakhtyar Dogan, disse à agência de notícias Associated Press que os bombardeios duraram três horas e provocaram "muitos danos". Não há informações sobre a quantidade de mortos.

Nesta terça (29), o governo do Iraque condenou os ataques turcos sobre posições curdas no norte do país, considerando a ofensiva como sendo "uma escalada perigosa e uma afronta à soberania iraquiana".

A ação militar turca ocorre um dia depois de o presidente, Tayyip Recep Erdogan, apelar para o Parlamento retirar a imunidade judicial de políticos ligados a "grupos terroristas" e afirmar "não ser possível continuar o processo de paz com aqueles que ameaçam nossa unidade nacional", inflamando a disputa com a minoria curda.

Os curdos reivindicam a criação de um Estado autônomo que abrangeria parte do território turco.

Alguns curdos dizem que ao reavivar o conflito aberto com o PKK, Erdogan busca enfraquecer o partido de oposição pró-curdos HDP, que ganhou cadeiras no Parlamento pela primeira vez nas eleições de junho, impedindo que o partido governista AK mantivesse sua maioria.

A ofensiva do governo turco sobre os curdos em seu território e em países vizinhos preocupa observadores internacionais, pois as tropas curdas têm representado a principal frente no batalha por terra contra o EI na Síria.

A Turquia mudou sua postura em relação ao PKK e ao EI na semana passada, após um ataque suicida do EI em seu território. Junto aos EUA, o país planeja estabelecer uma "zona livre de EI" no norte da Síria.

Segundo o ministro de Relações Exteriores da Turquia, a atuação dos EUA nessa operação só envolve ataques contra o EI, não apoio aéreo contra alvos do PKK.

Curdos na mira


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