Folha de S. Paulo


Papa se reúne com prefeitos, incluindo brasileiros, para discutir clima

Cerca de 60 representantes de cidades de vários países —incluindo o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT)— reivindicaram nesta terça-feira (21) que seus líderes nacionais adotem passos ousados na Conferência do Clima em Paris em dezembro, afirmando que esta poderia ser a última chance de manter em níveis seguros o aquecimento da Terra para a humanidade.

Convidados para uma conferência de dois dias no Vaticano, os prefeitos assinaram uma declaração final declarando que "a mudança climática induzida pelo homem é uma realidade científica e seu controle efetivo é um imperativo moral para a humanidade".

Tony Gentile/Reuters
Papa Francisco fala com vítimas de trabalho forçado durante conferência no Vaticano
Papa Francisco fala com vítimas de trabalho forçado durante conferência no Vaticano

No mês passado, o papa Francisco lançou uma encíclica em que faz uma defesa rigorosa da proteção ambiental, pedindo a redução do consumo e a responsabilização dos países ricos pelas mudanças climáticas.

Nesta terça, o pontífice afirmou ter "muita esperança" de que as negociações de Paris serão bem-sucedidas. Ele também afirmou aos prefeitos: "Vocês são a consciência da humanidade".

Especialistas dizem há muito tempo que as cidades são essenciais para reduzir o aquecimento global, já que as áreas urbanas correspondem a quase 75% das emissões humanas de carbono.

Uma comitiva de prefeitos brasileiros entregou uma carta ao papa pedindo o reconhecimento dos "governos locais como atores fundamentais na promoção da sustentabilidade global". Além de Fernando Haddad, assinam a carta os prefeitos do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), e de Salvador, ACM Neto (DEM), entre outros.

"Propomos a transferência de recursos e tecnologias dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento, em especial aos mais pobres, e diretamente às cidades", afirma o documento.

Também participam do encontro os prefeitos de Nova York (EUA), Oslo (Noruega), Estocolmo (Suécia), Berlim (Alemanha), Siquirres (Costa Rica), Kochi (Índia), entre outros.

O ponto alto da sessão inaugural desta terça foi uma audiência transcorrida à tarde com Francisco, que se tornou um herói para o movimento ambiental e que tem usado sua autoridade moral e enorme popularidade para direcionar a atenção mundial para a mudança climática e seus efeitos sobre os pobres.

Fabio Campana - 20.jul.2015/Efe
O prefeito paulistano, Fernando Haddad (à esq.), é recebido em Roma pelo prefeito Ignazio Marino
O prefeito paulistano, Fernando Haddad (à esq.), é recebido em Roma pelo prefeito Ignazio Marino

TRÁFICO HUMANO

Outra importante prioridade do pontífice tem sido aumentar a conscientização sobre o tráfico humano.

A conferência do Vaticano tem o objetivo de mostrar que os dois estão relacionados: a exploração da Terra e de sua população mais vulnerável, com o aquecimento global frequentemente responsável por criar "refugiados ambientais" que são forçados a fugir de suas casas por causa da seca ou de outros desastres naturais induzidos pelo clima.

O Vaticano foca nos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que devem ser finalizados em setembro, para fazer uma sólida referência aos problemas do tráfico humano e da escravidão moderna.

A declaração final da conferência pede incentivos financeiros para economias em transição substituírem os combustíveis fósseis por energias renováveis.

O documento também pede que o dinheiro gasto em questões militares seja transferido para "investimentos urgentes" em desenvolvimento sustentável, com países ricos ajudando os mais pobres.


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