Folha de S. Paulo


Papa Francisco cria comitê para combater abuso de crianças na Igreja

Uma comissão será criada pelo papa Francisco com a missão de combater o abuso sexual de crianças na Igreja Católica e também oferecer ajuda às vítimas.

O anúncio foi feito hoje no Vaticano após a reunião do papa com o Conselho de Cardeais, que foi nomeado por ele em abril passado para preparar uma reforma da Constituição Apostólica.

A comissão contra a pedofilia deve apresentar políticas de prevenção do abuso infantil na igreja, estabelecer formalmente condutas internas, além de dar recomendações sobre como colaborar com as autoridades civis em apurações sobre o tema.

O anúncio ocorre após a revelação de que a igreja se recusou a dar à ONU dados sobre investigações de pedofilia. A alegação é que a política interna da igreja é manter esses casos sob sigilo, a não ser que um Estado ou governo solicite formalmente a informação.

Não está claro, por exemplo, se a comissão poderá investigar e punir internamente membros da igreja. Os integrantes do comitê antipedofilia serão leigos, religiosos e sacerdotes, mas os seus nomes não foram divulgados.

"A composição e as competências da comissão serão indicadas com mais detalhes pelo Santo Padre, por meio de um documento apropriado", afirmou o cardeal americano Sean O'Malley, escalado para anunciar a medida.

O'Malley é o atual arcebispo de Boston, cidade onde a igreja viveu um dos maiores escândalos públicos de pedofilia, que levou em 2002 à renúncia do arcebispo Bernard Law, acusado de acobertar as denúncias de abusos contra crianças e adolescentes.

MORALIZAÇÃO

O movimento é mais uma tentativa do papa de mostrar disposição em combater esse tipo de comportamento dentro da igreja. Ações parecidas ele vem tomando em relação aos crimes financeiros do Vaticano. João Paulo 2º e Bento 16º são criticados pela lentidão na reação a denúncias.

Em julho passado, um decreto de Francisco transformou em crimes abusos sexuais e uso de material pornográfico para quem vive na cidade do Vaticano (não atinge toda a igreja), com penas que podem chegar a 12 anos de prisão --ao mesmo tempo, estabeleceu penas também para o vazamento de informações confidenciais.

Outros escândalos recentes ocorreram na Irlanda, onde por mais de três décadas líderes eclesiásticos protegeram autores de abusos, e na Alemanha, terra de Bento 16, onde padres foram acusados por centenas de terem praticado abusos sexuais e físicos.

Com informações de agências de notícias.


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