Folha de S. Paulo


Ação coletiva contra Petrobras na Justiça de Nova York volta a correr

Ana Carolina Fernandes - 16.mai.2005/Folhapress
ORG XMIT: 024701_1.tif Plataforma petrolífera da Petrobrás no estaleiro Mauá em Niterói, estado do Rio de Janeiro. (Rio de Janeiro, RJ, 16.05.2005. Foto deAna Carolina Fernandes /Folhapress).
Plataforma petrolífera da Petrobras no estaleiro Mauá em Niterói (RJ)

A ação coletiva movida por investidores contra a Petrobras nos Estados Unidos teve uma nova decisão, divulgada na sexta-feira (7) pela Justiça americana, que atendeu parcialmente um recurso da companhia brasileira.

A Corte Federal de Apelações do Segundo Circuito, em uma determinação de segunda instância, definiu que o juiz de primeira instância, Jed Rakoff, da corte distrital de Nova York, deverá reavaliar a classificação dos investidores.

Isso significa que parte dos investidores terá de confirmar os critérios que permitem a participação deles nessa demanda coletiva.

A decisão é consequência de um pedido de recurso da Petrobras questionando o grupo de investidores que poderiam ser representados pela ação, na tentativa de reduzir o tamanho deste grupo para pagar indenização menor.

A ação abrange duas classes de investidores, os que negociaram títulos de dívida ou os que negociaram ADRs -papéis de empresas estrangeiras negociadas na bolsa de Nova York.

Mas o recurso da Petrobras foi acolhido apenas parcialmente. Outra consequência dessa decisão é que ação, que estava parada por causa deste recurso, volte a tramitar.

Após a revelação de que diretores da Petrobras atuaram em esquemas de corrupção, fundos de investimento e investidores abriram processos contra a estatal reclamando perdas com aplicações e pedindo ressarcimento pela perda de valor das ações.

Para a advogada Érica Gorga, que atuou como perita para a defesa dos minoritários na Justiça federal americana, a nova movimentação coloca a Petrobras diante de uma decisão importante.

"Só os investidores de títulos de dívida é que serão reavaliados. Os investidores em ADRs já estão certificados", afirma Gorga.

"O que acontece na prática é que a Petrobras terá que decidir se ela vai passar pelo julgamento, e isso é um risco enorme para ela, ou se vai querer celebrar um acordo. Agora vai ser um período crucial para saber o que ela vai fazer de fato", afirma Gorga.

ACORDOS

Nos últimos meses, a companhia fez uma série de acordos para encerrar cerca de 20 ações individuais apresentadas por investidores nos Estados Unidos que se sentiram lesados diante das denúncias de corrupção.

Pelos acordos já celebrados e as negociações para outras ações individuais, o valor das provisões superava os US$ 400 milhões para o segundo trimestre deste ano.

Em nota, a Petrobras diz que "seguirá adotando as medidas necessárias para defesa de seus interesses".


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