Folha de S. Paulo


Presidente do BC pede serenidade após 'surpresa positiva' com inflação

Alan Marques/Folhapress
Ilan Goldfajn, presidente do BC: autoridade monetária trabalha com inflação de 4,4% em 2017
Ilan Goldfajn reiterou que objetivo é trazer inflação para perto da meta de 4,5% em 2017

A queda da inflação para 0,08% em setembro, menor patamar para o mês desde 1998, é uma "surpresa positiva", disse nesta sexta (7) o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Ele, no entanto, afirmou que é preciso serenidade porque ainda há muito a ser feito para a recuperação da economia.

"É uma surpresa positiva, mas tivemos também surpresas negativas [no passado] e a gente tem que manter a serenidade, olhar a tendência da inflação", afirmou Goldfajn em Washington, onde participa da reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional) e de eventos com investidores. "Nós olhamos a tendência da inflação, o nosso objetivo é a desinflação não só em um mês, mas ao longo do tempo".

Ele reiterou que o objetivo é trazer a inflação para perto da meta de 4,5% em 2017, e abaixo dela em 2018. Para o próximo ano, a expectativa mantem-se em uma taxa de 4,9%, disse. "O trabalho ainda é longo mas eu espero que ele já esteja dando resultados em termos de expectativas, não necessariamente da inflação corrente", afirmou.

JUROS

Questionado se a surpresa positiva abre espaço para uma queda dos juros, o presidente do BC concentrou sua resposta na meta de inflação, ressaltando que o mais importante é restaurar a confiança de que ela será alcançada.

"O que a gente está observando é que a inflação de alimentos está voltando e isso é um bom sinal", afirmou. "O outro fator é o da inflação de serviços, de não comercializáveis, que é o núcleo da inflação ao longo do tempo, isso a gente tem que analisar com este número mas não só com este, e ver se a tendência está declinante e na velocidade que a gente quer".

Inflação - Variação do IPCA, em %

Para Goldfajn, o Brasil está relativamente bem protegido contra as possíveis repercussões internacionais negativas que as dificuldades vividas pelo Deutsche Bank, o maior banco alemão.

"Eu vejo no Brasil as instituições financeiras sólidas, por causa da quantidade de capital, a gente vê que está bem provisionado para os problemas que podem vir", afirmou. "Nosso papel é manter essa situação, independentemente do cenário que vem pela frente".

Segundo ele, o sistema financeiro internacional tem um "desafio", devido a uma combinação de regulação intensificada depois da crise de 2008 e os juros baixos nos países avançados. "Isso introduz dificuldades nos bancos, que terão que navegar esse período", explicou.

Para os emergentes, porém, há uma "janela de oportunidade" criada pelos juros zero ou muito baixos das economias avançadas, afirmou o presidente do BC, algo que no Brasil se alinha com a necessidade de recuperar a economia.

"No Brasil duas coisas que se alinham. Uma é essa percepção que eu tenho [de um período favorável] para os emergentes. Mas tem outro fator que se alinha, que é a necessidade de recuperação da economia", disse.

"Você acabou de sair de uma recessão, quer recuperar a confiança, precisa recuperar o emprego, isso vai além só do que está acontecendo internacionalmente. É uma necessidade de gerar confiança para poder gerar o crescimento. E a forma de gerar confiança é fazer os ajustes e reformas", afirmou Goldfajn.


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