Folha de S. Paulo


Papéis ligados à inflação têm os maiores ganhos na renda fixa

Marcos Santos/USP Imagens
Boletim Focus reduz projeção para inflação para 7,57% em 2016
O bom desempenho desses fundos se deve também à menor percepção de risco do país

Os fundos de renda fixa atrelados à inflação tiveram a melhor rentabilidade na categoria no primeiro semestre.

Dois dos três produtos que apresentaram o melhor desempenho do período têm como parâmetro de rentabilidade o IMA-B5+, índice da Anbima composto por títulos públicos indexados à inflação e com prazo igual ou superior a cinco anos.

O bom desempenho desses papéis se deve também à menor percepção de risco do país, com uma maior previsibilidade na situação política e econômica após o afastamento provisório da presidente Dilma Rousseff, em votação na Câmara.

O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, recuou de 570 pontos para 300 pontos entre fevereiro e julho.

MELHORES FUNDOS DE RENDA FIXA DO SEMESTRE - De acordo com o retorno, descontada a taxa de administração*

"Houve um aumento da demanda por esses papéis porque o cenário político está mais calmo", diz Sérgio Bini, superintendente de gestão da Caixa. O título da Caixa que segue o IMA-B5+ ficou em terceiro lugar no ranking.

MARCAÇÃO A MERCADO

Bini diz ainda que a marcação a mercado gera efeito bastante positivo para esse tipo de ativo.

Na marcação a mercado, o valor do título é atualizado diariamente pela diferença entre os juros atuais e aqueles prefixados quando o papel foi emitido. Se a taxa atual for menor do que a da emissão, o valor de revenda do título aumenta.

Por isso, em um cenário de queda de juros, a marcação a mercado tende a favorecer os títulos prefixados.

Papéis de longa duração e atrelados à inflação também foram a aposta da Icatu Vanguarda, o que garantiu à gestora a segunda posição entre os fundos de renda fixa com melhor retorno no primeiro semestre.

"Esse fundo tem, preponderantemente, títulos indexáveis à inflação. São títulos com prazo longo. Na média, os papéis que compõem nossa carteira têm 11 anos", afirma Bernardo Schneider, da Icatu.

Ele afirma que as expectativas de queda de juros -mesmo que a Selic tenha se mantido estável no semestre- e de combate à inflação contribuíram para o bom desempenho no semestre.

Esses fundos, porém, costumam ser muito instáveis, embora superem a rentabilidade do CDI (taxa média de juros de empréstimos de instituições financeiras) no médio e longo prazos.


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