Folha de S. Paulo


Chinês 'confessa' esquema de pirâmide financeira de US$ 800 milhões

Wu Hong - 12.ago.2015/Efe
Cédulas da moeda chinesa yuan
Cédulas da moeda chinesa yuan

O suposto líder de uma fraude conhecida como esquema da pirâmide, que chegou a US$ 800 milhões, admitiu o crime em uma "confissão" exibida na TV.

Xu Qin, apresentado como "gerente" de várias empresas reunidas sob o grupo Zhongjin Asset Management, com sede em Xangai, foi detido na semana passada no aeroporto da cidade, de onde pretendia viajar para a Itália.

Além de Xu, 34 diretores e funcionários foram indiciados na semana passada por causa da fraude financeira, anunciou o canal estatal "Dragon TV".

Zhongjin e as empresas associadas captaram "ilegalmente" quase 40 bilhões de yuans de 25 mil investidores e atualmente devem 5,2 bilhões de yuans (US$ 800 milhões) para mais da metade deles, segundo a emissora.

"Era o modelo perfeito de uma fraude piramidal do tipo Ponzi", disse Xu Qin em sua "confissão" exibida pela TV no domingo. A empresa "pagava os juros dos primeiros investidores com o dinheiro dos que chegavam depois", explicou o executivo, de 35 anos.

Uma parte dos fundos captados foi desviada em benefício próprio. Quase 500 milhões de yuans foram investidos em imóveis luxuosos e automóveis, segundo a "Dragon TV".

Xu e sua mulher alugavam em Xangai um apartamento de 1.200 metros quadrados, no qual instalaram fontes na sala e onde criavam pavões reais, informa o jornal oficial "Jiefang Ribao".

As fraudes deste tipo não são tão raras na China e costumam deixar muitas vítimas entre os investidores, que buscam rendimentos superiores aos oferecidos pelos bancos.

Em fevereiro, as autoridades chinesas prenderam 21 executivos de uma empresa acusada de prejudicar quase 900 mil pessoas, que perderam mais de 50 bilhões de yuans (US$ 7,6 bilhões), uma das maiores fraudes já descobertas no país.

A "confissão exibida na televisão" é parte de uma prática bem conhecida na China, onde a TV costuma divulgar tais "depoimentos" antes do processo, o que é muito criticado pelas organizações de defesa dos direitos humanos.


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