Folha de S. Paulo


Governo discute com estrangeiros venda de ativos da espanhola Abengoa

Em busca de uma saída para as concessões que estão nas mãos da Abengoa, o governo discute com dois possíveis compradores o futuro dos ativos da companhia espanhola, cuja matriz entrou com um pedido de recuperação judicial no final de 2015.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, os dois proponentes são estrangeiros. "Existem duas propostas, uma por todas as concessões e outra por parte delas", afirmou Braga.

A segunda proposta citada pelo ministro seria apenas pelos empreendimentos já concluídos e por algumas concessões que já obtiveram as licenças de instalação.

Já a primeira, pegaria todas as concessões, inclusive aquelas que não estão com as licenças emitidas e que, provavelmente, atrasarão.

Para o governo, há o risco de que alguns projetos não consigam ficar de pé devido à pequena margem de lucratividade presente em alguns deles.

"O que queremos é que a proposta seja viável do ponto de vista financeiro", disse Braga.

Para viabilizar a venda de, ao menos, 12 das 16 concessões que a Abengoa tem no Brasil, o governo não descarta a hipótese de retomar as concessões e relicitá-las em um novo leilão, provavelmente oferecendo um retorno maior aos investidores.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Em dezembro de 2015, a Abengoa entrou com um pedido de recuperação judicial na Espanha devido ao alto endividamento da matriz.

Desde então, paralisou as obras no Brasil e demitiu a maior parte dos trabalhadores que estavam envolvidos na construção dos empreendimentos.

No país, além das concessões de linhas de transmissão, a companhia também detém duas plantas de cogeração de energia –quando se produz dois tipos de energia, uma parte elétrica e outra térmica, utilizadas no aquecimento ou resfriamento de edifícios– e um hospital em Manaus (AM).

Desde então a companhia tenta vender os ativos para evitar a retomada por parte do governo sob o argumento de descumprimento de contrato.

No final de janeiro, a espanhola entrou com pedido de recuperação judicial no Brasil e em outros países da América, como as plantas de geração de energia a partir de fontes renováveis nos Estados Unidos.

No país, devido à legislação que rege as Sociedades de Propósito Específico (SPE), as concessões da Abengoa não ficam travadas durante o processo de recuperação judicial, apenas as receitas transferidas para a holding detentora das cotas dessa SPE.


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