Folha de S. Paulo


Precisamos de alternativas para retardar aposentadoria, diz novo ministro

Os estudos do governo para uma reforma da Previdência foram citados pelo novo ministro do Planejamento, Valdir Simão, nesta terça-feira (22), na cerimônia em que recebeu o cargo do ministro Nelson Barbosa (Fazenda).

Simão afirmou que novas medidas legislativas serão necessárias, além daquelas já enviadas ao Congresso, para buscar o equilíbrio das contas públicas.

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"Em especial, para buscar o equilíbrio da Previdência Social. É preciso discutir os planos de benefícios, em especial as aposentadorias por idade e por tempo de contribuição", afirmou.

"Precisamos discutir alternativas para retardar a entrada na inatividade. Isso pode se dar por estabelecimento de limite de idade ou por uma conjunção entre idade e tempo de contribuição."

Barbosa já havia tratado do tema na segunda-feira, dentro da estratégia do governo de usar essa reforma para tentar reduzir a reação negativa do mercado ao novo ministro da Fazenda.

O ministro do Planejamento disse ainda esperar contar com o apoio do Congresso para aprovar essa e outras medidas fiscais que já foram enviadas, como a aprovação da CPMF.

Pedro Ladeira - 15.mai.2015/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 15-05-2015, 11h00: O ministro da CGU, Valdir Simão, e a secretária de Transparência e Prevenção da Corrupção, Patrícia Audi, apresentam a Escala Brasil Transparente, um índice que mede a transparência passiva de Estados e municípios e reflete sobre cenário de acesso à informação no Brasil, na sede da CGU. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
O novo ministro do Planejamento, Valdir Simão

MOMENTO CRÍTICO

Simão dispensou as expressões usadas normalmente pelo governo para classificar a crise atual e, ao invés de falar em "transição" ou "travessia", disse que "a economia brasileira passa por um momento crítico, com forte desaceleração atividade".

MUDANÇA NA FAZENDA
Barbosa substitui Levy no ministério
Joaquim Levy e Nelson Barbosa

"Já estivemos em situação semelhante e temos plena condição de reverter esse quadro", afirmou.

Seguindo a orientação dada ontem pela presidente Dilma na cerimônia de posse, afirmou que o ministério tem instrumentos para garantir a retomada do crescimento econômico e que irá trabalhar também para conter o aumento da dívida pública.

Sobre a relação entre os ministérios da Fazenda e do Planejamento, que mantiveram histórico de atritos nas gestões Joaquim Levy e Nelson Barbosa, afirmou que a equipe econômica continuará trabalhando em conjunto, como um time, para garantir que esses objetivos sejam alcançados.

O ministro do Planejamento foi questionado por jornalistas ao final da cerimônia sobre a decisão do governo de pagar neste ano toda ou parte da dívida das pedaladas fiscais com bancos públicos e com o FGTS.

"Nós próximos dias tomaremos a decisão. Eu defendo que devemos limpar essa agenda. O que for possível pagar neste ano, devemos pagar."

Ao transmitir o cargo, o ministro Nelson Barbosa listou alguns projetos tocados durante sua administração no Planejamento, como a reforma administrativa (extinção de ministérios e cargos comissionados), que ainda está em andamento, e a segunda fase do PIL (Programa de Infraestrutura e Logística), que está com projetos licitados, em estudo ou em consulta pública.


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