Folha de S. Paulo


Após cair até 2%, Bolsa retoma fôlego e fecha no azul puxada por Petrobras

Após cair até 1,96% ao longo do dia, o principal índice da Bolsa brasileira retomou o fôlego na última hora de negociações e fechou esta terça-feira (7) no azul, interrompendo uma sequência de duas baixas.

O movimento acompanhou a melhora nos mercados dos Estados Unidos e a recuperação nos preços do petróleo no exterior, diante da notícia de que o Eurogrupo pode dar um financiamento emergencial à Grécia, segundo fontes. A possibilidade deve ser avaliada até domingo (12).

O Ibovespa subiu 0,37%, para 52.343 pontos. O volume financeiro foi de R$ 7,234 bilhões. Em Nova York, os índices de ações chegaram a cair mais de 1% na sessão, mas mudaram de tendência e fecharam com valorizações entre 0,1% e 0,6%. Na Europa, onde os mercados fecham mais cedo (por volta das 14h de Brasília), as principais Bolsas encerraram o dia no vermelho.

"Os preços do petróleo mudaram drasticamente de uma queda de mais de 4% para alta em torno de 0,5%, o que deu ânimo para a retomada das ações da Petrobras e, consequentemente, da Bolsa brasileira", disse Lauro Vilares, analista da Guide Investimentos.

Os papéis preferenciais da estatal, mais negociados e sem direito a voto, fecharam em alta de 2,61%, para R$ 11,78, após terem afundado até 5,8% durante o pregão. O mesmo ocorreu com a ação preferencial da mineradora Vale, que recuou 4,6% mais cedo na sessão, mas encerrou o dia com ganho de 1,20%, a R$ 15,15.

Além da incerteza em torno da situação da Grécia na zona do euro, a queda do Ibovespa durante boa parte do dia também refletiu, segundo analistas, o cenário político no Brasil. Segundo o gerente de mesa Bovespa da H.Commcor Ari Santos, o Ibovespa espelhou "a situação geral, que é de disputas entre a oposição e a presidente Dilma Rousseff (PT), a economia ruim, problemas na Grécia e queda das commodities."

No auge da pior crise de seus quatro anos e meio de governo, a presidente Dilma desafiou os que defendem sua saída prematura do Palácio do Planalto a tentar tirá-la da cadeira e a provar que ela algum dia "pegou um tostão" de dinheiro sujo. "Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso aí é moleza, é luta política", disse a presidente em entrevista exclusiva à Folha.

"Qualquer tipo de fraqueza do governo é mal vista pelo mercado, porque assim fica mais difícil de serem tomadas as medidas de ajuste fiscal e outras reformas que a economia precisa", disse Vilares. "O mercado ainda não está colocando nos preços dos ativos a possibilidade de impeachment da presidente. Falta algo mais concreto para que essa possibilidade se torne efetiva", completou.

Na ponta negativa do Ibovespa terminaram Gol (-4,30%), Oi (-3,30%) e Cemig (-3,29%). A forte alta do dólar é ruim para a companhia aérea, cujos principais custos –combustível, manutenção e arrendamento de aeronaves– são atrelados à moeda americana.

Na ponta positiva ficaram Brasil Foods (5,24%), CPFL Energia (3,42%) e Gerdau (3,08%). Três anos após suspender as vendas de algumas categorias da marca Perdigão para que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) autorizasse sua criação, a BRF retomou na última quinta-feira (2) as vendas de presunto e linguiça calabresa defumada com a marca Perdigão.

A empresa também já tem autorização para retomar as vendas de cortes de carne suína com a marca Perdigão voltados para a festas de fim de ano, tais como lombo e tender. Com a volta da Perdigão a essas categorias, a marca ampliará seu raio de acesso de 60% para 83% do mercado brasileiro de alimentos processados e congelados, afirmou o diretor nacional de vendas da BRF, Rafael Ivanisk.

DÓLAR EM ALTA

No câmbio, o clima de cautela com a crise grega levou o dólar ao seu maior valor desde o fim de março. Segundo operadores, a moeda americana tende a ser mais procurada em momentos de aversão ao risco entre os investidores, por ser considerada um investimento mais seguro. A maior procura força o preço da divisa para cima.

Nem mesmo a notícia de que o FMI (Fundo Monetário Internacional) reiterou sua recomendação para os EUA começarem a subir os juros apenas em 2016 foi suficiente para impedir o avanço da cotação do dólar.

A demora na elevação da taxa nos EUA estimula os estrangeiros a continuarem aplicando recursos em países com risco maior, mas juros mais elevados, como o Brasil, o que reduz a pressão sobre o câmbio. O FMI afirmou ainda que a valorização do dólar pode afetar o crescimento da economia americana.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 1,50% sobre o real, cotado em R$ 3,188 na venda. É o maior valor desde 31 de março, quando estava em R$ 3,203. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 1,33%, para R$ 3,184.

Nesta terça-feira, o BC deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em agosto –operação que equivale a uma venda futura de dólares para estender o prazo de contratos. A oferta de 6 mil papéis foi integralmente vendida, por US$ 294 milhões. Nos primeiros leilões deste mês, haviam sido ofertados até 7,1 mil swaps.

Mantendo a oferta de até 6 mil contratos por dia até o penúltimo dia útil do mês, o BC rolará o equivalente a US$ 6,396 bilhões ao todo, ou cerca de 60% do lote total. Se continuasse com as ofertas anteriores, a rolagem seria de 70%, como a do mês anterior.

Com agências de notícias


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