Folha de S. Paulo


Justiça autoriza a venda da marca de leite Nilza à Italac por R$ 7 milhões

A Justiça de Ribeirão Preto autorizou a venda da marca da indústria alimentícia Nilza por R$ 7 milhões à goiana Goiasminas Indústria de Laticínios, a Italac, uma das maiores do setor no país. O valor foi maior que o avaliado, de R$ 5,2 milhões.

A Italac havia proposto a compra em novembro do ano passado, durante a terceira audiência de um leilão que colocou à venda a marca, além das fábricas da Nilza.

Foi a maior oferta entre as empresas concorrentes.

Na ocasião, o administrador judicial da massa falida da indústria, Alexandre Borges Leite, contestou o valor de avaliação da marca e pediu um prazo para análise.

Agora, os credores terão um prazo de 15 dias a partir da publicação da decisão do juiz Heber Batista Mendes, da 4ª Vara Cível, para recorrer.

Mendes determinou que a Italac pague 30% do valor à vista e o restante, dividido em 24 parcelas.

"O consumidor poderá encontrar a marca nas gôndolas dos supermercados novamente, o que é muito positivo", afirmou Leite.

Para Carlos Humberto Mendes de Carvalho, presidente do Sindileite (Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de São Paulo), a compra agrega valor à Italac.

"A Nilza ficou na lembrança e tem um valor significativo para o consumidor, principalmente do interior paulista", disse.

Segundo ele, no entanto, o negócio não representa um aumento de empregos.

"A Italac pode continuar usando toda a infraestrutura e mão de obra que já tem para vender os produtos com o rótulo Nilza", disse.

DÍVIDAS

Falida em 2010, a Nilza tem uma dívida de cerca de R$ 620 milhões, entre salários de ex-funcionários e débitos com fornecedores.

Na decisão sobre a venda da marca, o juiz também determinou que a fábrica de Ribeirão vá a leilão eletrônico, ainda sem data prevista.

Já a unidade da Nilza em Itamonte (MG) deverá passar por nova avaliação.

Até o momento, apenas a unidade em Campo Belo (MG) foi vendida, em novembro.

A empresa Nova Mix, dona da marca Quatá, comprou a fábrica por R$ 9 milhões –valor abaixo do esperado, de R$ 12 milhões.

O total do patrimônio das três fábricas foi avaliado pela Justiça em R$ 117 milhões.

A Nilza já foi uma das líderes de mercado e chegou a processar 1,5 milhão de litros de leite por dia, sendo responsável por 15% do total consumido no Estado.

Em recuperação judicial desde 2009, as máquinas da Nilza estão paradas desde outubro de 2012, quando o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decretou a falência.


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