Folha de S. Paulo


CSN anuncia acordo para fusão em mineração

A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) informou nesta segunda-feira (24) que conseguiu fechar aguardado acordo com os sócios da Namisa para a fusão da mineradora com sua mina Casa de Pedra e ativos logísticos de mineração do grupo siderúrgico.

Como resultado da união dos ativos, a CSN vai criar uma nova empresa que será separada do grupo. O anúncio fazia as ações da CSN terem forte alta, exibindo valorização de quase 4% às 12h.

Em breve comunicado, a companhia disse que os acordos com seus sócios na Namisa, Itochu Corporation, JFE Steel Corporation [JFEST.UL], Posco, Kobe Steel, Nisshin Steel e China Steel Corporation foram assinados na noite da última sexta-feira (21). Procurada, a CSN não pode informar mais detalhes sobre o acordo de imediato.

Segundo a CSN, a transação está sujeita a aprovações pelos conselhos de administração das partes, que devem ocorrer até 12 de dezembro. O acordo ocorreu depois que uma comitiva de executivos dos sócios asiáticos veio ao Brasil em meados deste mês para mais uma rodada de negociações com a CSN.

A CSN passou a deter 60% da Namisa e os sócios asiáticos o restante depois da venda de parcela de 40 por cento da mineradora em 2008 por cerca de US$ 3,1 bilhões. A companhia brasileira vinha tentando há alguns anos um acordo para a fusão dos ativos, afirmando que a operação traria ganhos de escala e de produtividade para a área.

Analistas afirmaram que a CSN pode ter sido motivada a buscar a fusão das unidades para evitar ter que pagar mais de US$ 3 bilhões em penalidades aos sócios asiáticos por não cumprir metas de expansão da Namisa. No ano passado, a CSN havia alertado que a parceria poderia ser dissolvida se as divergências entre os sócios não pudessem ser resolvidas.

"Apesar de não sabermos os termos econômicos do negócio, vemos a transação como negativa. No final, a CSN está entregando parte de um ativo estratégico valioso que é a mina Casa de Pedra", disse Rodolfo Angele, analista de mineração e siderurgia da JPMorgan Securities.

O Goldman Sachs e o escritório de advocacia Barbosa, Mussnich & Aragão assessoraram a CSN no acordo, enquanto Itaú BBA e o escritório Machado Meyer trabalharam com os sócios asiáticos da Namisa, afirmou outra fonte.

No primeiro semestre, a área de mineração da CSN foi responsável por 25% da receita líquida da companhia. O terminal de exportação de minério de ferro Tecar deve chegar a um ritmo de 45 milhões de toneladas anuais até o final deste ano.

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CSN / 3º TRIMESTRE DE 2014
FATURAMENTO: R$ 3,8 milhões
EBITDA: R$ 977 milhões
NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS: 22 mil
TOTAL DE DÍVIDAS: R$ 17,6 milhões
PRINCIPAIS CONCORRENTES: USIMINAS, ARCELOR-MITTAL, GERDAU


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